Cultura!

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OBJECTIVOS

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... Nos últimos tempos são maioritariamente meros comentários que fiz, publicados principalmente no facebook ou no correio electrónico, sempre a pensar em primeiro lugar nos amigos que eventualmente os leiam.
Gostaria muito de re-escrever os textos, aprofundando as opiniões, mas o tempo vai-me faltando...
As minhas estrelas (de 1 a 5), quando as houver, apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente. Gostaria de ver tudo o que vale a pena, mas também não tenho tempo...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO - pelo Intervalo Grupo de Teatro




SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

O Intervalo Grupo de Teatro voltou à grande comédia clássica, depois de dois grandes espectáculos dramáticos, extraordinários: "Ratos e Homens" e "12 Homens em Fúria", que ficam entre o melhor que vimos nas últimas temporadas em todos os palcos. 

Depois de Molière, de Corneille e de outros, chega agora, de novo, uns anos depois, a adaptação do famoso "Um Sonho de uma Noite de Verão" (A Midnight Summer's Dream), de William Shakespeare.
E é excelente, este espectáculo que adapta uma das mais inocentes peças do genial dramaturgo inglês, ou talvez não, em que os maus sentimentos estão praticamente ausentes, tirando uns ciúmes, umas vilanias menores, um pai prepotente e principalmente as confusões que os "deuses" armam para delas tirar proveito... 

Manuel Jerónimo, actor e encenador que já conhecíamos de trabalhos anteriores, magníficos, adaptou o texto e encenou-o. 

O resultado, volto a afirmá-lo, é encantatório, fazendo-nos por vezes sorrir, rir e até rir muito, com as peripécias da acção. 

E tudo acaba em bem, com excepção da peça dentro da peça, com que termina a comédia, tal como no original, e que é por vezes irresistivelmente cómica.

A direcção de actores é de novo brilhante, ou não fosse essa uma marca da casa.

Parabéns e uma forte recomendação para não perderem, aos amigos deste mero espectador, um daqueles que nada sabe do que se passa nos bastidores mas apenas do resultado em palco e esse é, em sua opinião, muito bom!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

TRILOGIA DE MAXIM, de Grigori Kozintsev e Leonid Tranberg



No ano em que se comemora o Centenário da Revolução de Outubro (1917 - 2017) deixo uma pequena nota, de 2006, sobre um dos mais famosos filmes sobre a Revolução e uma obra-prima absoluta da Sétima Arte, talvez pouco vista dado as cinematecas estarem noutras mãos...

TRILOGIA DE MAXIM, de Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg, URSS (1935-1938), ***** (5)

Depois de ter visto a obra-prima de Satyajit Ray “Trilogia de Apu”, agora outra trilogia famosa, constituída pelos filmes “A Juventude de Maxim”, “O Regresso de Maxim” e “O Distrito de Vyborg”, todos com música do grande compositor soviético Dmitri Schostakovich, de quem se comemora este ano o centenário do nascimento (1906).

É uma das mais célebres obras do Cinema Soviético, dos anos inesquecíveis da construção do Socialismo. 

Obra-prima que poucas possibilidades temos hoje, e neste país, de ver… 

Exibida, em sessões separadas, no ciclo do Cinema Clássico Soviético, na Cinemateca Portuguesa, em 1987, que deu origem ao que talvez seja o melhor catálogo de sempre editado pela mesma Cinemateca, pelo menos no grafismo (obviamente esgotadíssimo…). 

Originários da antiga Rússia, hoje Ucrânia, de Kiev - Kosintsev (1905-1973) e de Odessa - Trauberg (1902-1990), os dois cineastas fizeram juntos parte dos movimentos de vanguarda do cinema, nos anos 20 e 30, na URSS.

Sobre a trilogia, diz o referido catálogo da Cinemateca, “há neles (nos filmes da trilogia) uma intrínseca excentricidade, na concepção geral, no tratamento das sequências capitais, na composição interpretativa, que é o contraponto feliz a um argumento muito elaborado, minucioso, didáctico e politicamente comprometido”.

“Tão exemplar (o filme) como o seu herói”, Jean-Marie Carzou, cineasta francês, no Dicionário dos Filmes, da Larousse.

“Maxime é um dos filmes mais importantes realizados na URSS (e no mundo), nos anos 30” no famoso e indispensável Dicionário dos Filmes, de Georges Sadoul.

Esta exibição de agora, no CCB, constituiu um verdadeiro “tour de force”, com a projecção consecutiva dos três filmes, durante quase seis horas, com curtos intervalos entre eles. 

As cópias no entanto apresentavam algumas deficiências, em especial a última, com o som em estado menos bom e legendada em francês, mas afinal com melhor legendagem (mais completa) que a electrónica em português dos dois primeiros filmes. Mas apesar de tudo isso, valeu bem a pena a visão desta obra-prima, do cinema em geral, e do Cinema Revolucionário em particular, abrangendo a história de um jovem operário russo entre 1910 a 1919, participante activo da Revolução Socialista de Outubro, um operário que dadas as suas qualidades é encarregue pelo partido, logo a seguir à Revolução, da gestão do Banco da Rússia, tarefa que desempenha como sempre com muita inteligência, num período particularmente difícil para o novo poder, com as contínuas sabotagens dos anteriores dirigentes, afectos ao czarismo e à direita.

Há na obra sequências memoráveis, entre quais o desfile dos operários com o cadáver do camarada morto na fábrica, devido às péssimas condições de trabalho, contra as quais os trabalhadores protestavam em vão, e subsequente violento reencontro com as forças policiais, que reprimem brutalmente o movimento popular; as orgias da dissoluta sociedade czarista; as primeiras e difíceis reuniões de Maxim com os quadros do Banco e as tempestuosas reuniões na Assembleia Legislativa, antes e logo a seguir ao eclodir da Revolução (e por vezes a caracterização política dos intervenientes é tão perfeita, que pareceu-me ver a actualidade); e, talvez acima de todas, o julgamento popular dos envolvidos nas sabotagens, saques e pilhagens, nos primeiros tempos do Poder Soviético, também pelo seu enorme significado político, mostrando a inteligência e sensibilidade com que os dirigentes comunistas que constituíam o tribunal, souberam lidar com as massas, deixando-as exprimir-se, mas explicando-lhes na altura própria, em que casos se deve ser inflexível e quando se deve perdoar. 

Admirável obra que o tempo não consegue desvanecer, continuando a ver-se com enorme emoção.




MÚSICA

Um concerto integrado na comemoração do centenário de Dimitri Schostakovich, dirigido por Pedro Moreira, com a Big Band do Hot Club de Portugal, mais músicos da O.M.L., e convidados ***** (5)

Os melómanos, habituados aos concertos requintados e organizados ao pormenor, provavelmente não apareceram (embora o auditório principal do CBB estivesse quase esgotado…) 

Confesso o enorme prazer sentido pelas 3 horas que passei no CCB, a assistir a um absolutamente original concerto, de música erudita para jazz e jazz puro (Duke Ellington), através de peças excepcionais escritas para jazz, de Schostakovich, Stravinsky e Bernstein! Logo três dos compositores de que mais gosto! Entre as peças a fantástica “Lost” Suite para Orquestra de Jazz (agora intitulada nº2), de Schostakovich! 

Com um palco, também ele próprio, mudando de aspecto a cada peça tocada, com mais ou menos músicos, e com a configuração da orquestra e dos seus instrumentos e lugares continuamente a mudar ao ritmo das necessidades musicais, foi qualquer coisa de único, parecendo tudo quase um enorme improviso! 


TERRA DE NINGUÉM, de Salomé Lamas



Antes de ir ver o ELDORADO XXI, a segunda longa-metragem da Salomé Lamas e o filme actualmente em exibição dos que me interessam muito que ainda não vi, aqui fica uma pequena nota escrita a quando da exibição da sua primeira longa-metragem. 
A propósito, quanto aos hiper propagandeados "la-la" hesito em gastar o meu pouco tempo. É que gosto demasiado dos grandes clássicos do Musical...



TERRA DE NINGUÉM, de SALOMÉ LAMAS

1-Já vi e achei interessante, também sob o aspecto da linguagem, o muito aplaudido "Terra de Ninguém", documentário da jovem realizadora, Salomé Lamas (na foto), primeiro prémio do DOCLIS de 2012. 

Curiosamente assisti sozinho, numa sala completamente vazia dum multiplex, num horário nobre. Disse-me o pessoal de serviço que, em sessões anteriores, alguns espectadores abandonaram a sala ao intervalo

Porque a obra é incómoda? Não sei. É a entrevista a um mercenário e assassino, nas próprias palavras do retratado. 

Mas merece uma reflexão, pelo que revela aos menos informados, que o são por ignorância, por preconceito, às vezes por desmazelo, sobre a realidade que os cerca - os crimes contra a Humanidade cometidos pelas tropas ocupantes na Guerra Colonial Portuguesa, os atentados encomendados pela CIA na América do Sul, cujo objectivo era o terror, por isso tinham também por vezes por alvos os próprios apoiantes, os atentados dos GAL, em Espanha, encomendados durante o governo de Felipe Gonzalez. As seguranças de Kaulza e Sá Carneiro, de que o entrevistado fez parte.

E obviamente para tentarmos perceber o que pode levar um ser humano a um trajecto de vida como este, que em fase terminal o transforma num sem-abrigo, debaixo de um viaduto qualquer de uma grande urbe (Lisboa).

2-Uma longa entrevista a um mercenário e assassino, como ele próprio se define, admitindo que tudo o que conta é verdade. E pelos piores motivos, o que ele já não consegue admitir. 

O Homem pode transformar-se num ser violento, sem piedade, por motivos vários. E ninguém estará à partida, livre disso. 

O ódio, em primeiro lugar. O instinto de defesa em segundo lugar. E também o pode, por pensar que está do lado dos que têm razão, porque lhe disseram que os outros são “maus”. 

O personagem deste documentário quer justificar-se assim. É que passou de soldado, voluntário é certo, mas integrado num exército regular, em guerra, injusta é certo, para alguém que é pago para combater e matar sem escrúpulos. Em ambos os casos actuou com selvajaria. Parece que na sua cabeça não existiram muitas dúvidas, segundo diz. Será talvez essa a justificação que julgam possível, os que participaram em massacres e crimes contra populações indefesas durante as Guerras Coloniais. E infelizmente já ouvi justificações semelhantes, que me impressionaram.

No entanto ele terminará a sua atribulada existência como sem-abrigo, depois de preso e condenado a 15 anos, em Espanha, por um único crime entre as centenas (?) de assassinatos que terá cometido, como soldado e mercenário, sempre do lado das forças de repressão, dos poderosos, contra os que lutaram pela liberdade dos seus povos, ou depois, como assassino contratado para matar, ainda pelos mesmos poderes (episódio dos GAL, criados durante o governo de Felipe Gonzalez, contra a ETA). E depois de ter sido segurança de Kaulza de Arriaga e de Sá Carneiro, segundo diz... Como se deixasse de ser útil para os que o utilizaram. 

Um dos paradoxos desta existência seria o de, a acreditar no que ele conta, ele ter afinal alguma ética, já que, mesmo sendo capaz de matar sem pena nem remorso e cometendo as maiores barbaridades, na África Colonial Portuguesa ou em Salvador. (lembrar a propósito o impressionante e magnífico “Romero”, de John Duigan, na altura em que membros da “Igreja dos Pobres” apoiavam a guerrilha (Arcebispo Romero), filme que é a visão do outro lado da barricada, do lado das populações em luta contra a miséria, contra a fome, contra a repressão dos poderosos, relembrando a morte da guerrilheira, eventualmente assassinada por gente como este mercenário português ao serviço da CIA, segundo ele diz) 

Ética por se recusar a matar os familiares das suas vítimas, mas só como assassino contratado, porque nas guerras, coloniais principalmente, velhos, mulheres e crianças eram abatidas também (Angola). O racismo também pesaria aí? 

O que impressiona no filme de Salomé Lamas é a magnífica encenação, aparentemente muito económica de meios, e muito directa, que a jovem realizadora criou para a entrevista. A ideia também de cortar as perguntas, substituindo-as por um número, sequencial, que separa as respostas. Nunca ouvimos a voz de quem pergunta. Apenas breves comentários, da própria Salomé, entre cada um dos 5 ou 6 episódios, temporalmente bem definidos, que constituem o documentário. Esta forma acaba por nos ligar mais ao entrevistado e nos fazer quase acreditar que se trata afinal de um ser humano igual a muitos outros, com algumas fragilidades, com todas as suas limitações e contradições (a infância, feliz, em África). Nisso a obra está de facto muito conseguida.

Os que defendem o filme referem-se obviamente a este aspecto e também ao facto dele acabar por mostrar que a Guerra Colonial, feita pelo governo português, foi muito mais cruel do que as versões oficiais, ainda hoje, querem fazer crer. É que não ignora os selváticos massacres cometidos pelas tropas coloniais, as aldeias queimadas, e as suas populações inteiras dizimadas, e as cabeças cortadas penduradas como troféus, nos cintos ou nas viaturas. Em Wiriamu, Nambuangongo ou noutro local qualquer. 

Embora julgo que não foi esse objectivo principal de Salomé. Mostrar sim as contradições do ser humano. Que parece, em certas ocasiões, capaz de sentimentos vulgares, solidários até (a cena final dos sem-abrigo, debaixo da ponte) e ao mesmo tempo capaz de se deixar levar pelo ódio, pela irracionalidade, pelo interesse (o dinheiro – o episódio de Monte Carlo) e cometer com indiferença as maiores atrocidades contra os seus semelhantes.

A justificação de um criminoso? Julgo que não. Antes um olhar para os que caem para o outro lado da barricada, por falta de inteligência e depois, utilizados, já não poderão regressar...







terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

SILENCE (SILÊNCIO), de Martin Scorsese



SILÊNCIO (Silence), de Martin Scorsese

O que mais impressiona os espectadores deste filme, julgo eu, é o dilema que se põe aos que são perseguidos, entre o ceder perante o sofrimento provocado pela tortura, pela visão da tortura usada contra outros ou pela morte quase certa se se persistir na crença ou a recusa em falar, mantendo a posição, aconteça o que acontecer, que deverá ser a tortura e a morte.

Neste caso trata-se da perseguição aos cristãos no Japão do século XVII (cerca de 1640), movida pelo poder imperial preocupado com tudo, incluindo as novas ideias, que pudesse vir a pôr em causa o Japão feudal. É essa situação que missionários jesuítas portugueses vão encontrar na sua missão de tentar difundir, clandestinamente, as ideias do cristianismo, em que a maior parte deles acredita.

Alguns cedem (apostatam, termo religioso para a negação da fé), chegando a integrar-se completamente na sociedade japonesa, tornando-se inclusive budistas. Outros persistem na sua missão e são mortos, juntamente com os japoneses que eles conseguiram catequizar e que começam a revoltar-se contra a repressão religiosa e a exploração social do povo (figura da rapariga na prisão). O filme de Scorsese mostra-o através das suas várias personagens.




O realizador norte-americano adaptou uma obra homónima de um escritor católico japonês, Shusaku Endo (1923-1996). Os que apostatam lamentam não ter conseguido ouvir o seu deus. Daí o título da obra, Silêncio. Hoje o Japão conta com cerca de 1% de cristãos, entre os quais, 0,3 % de católicos. E o budismo continua a ser a principal religião do país. 

O mesmo tema, baseado no romance de Endo, foi já abordado no cinema português no filme "Os olhos da Ásia", de João Mário Grilo. Curiosamente, o português filmou em Sintra e o norte-americano em Taiwan (território chinês ainda autónomo). As razões parecem ter sido, nos dois casos, económicas...


A questão da língua utilizada acaba por ser importante para o espectador português porque no filme de Scorsese só se fala japonês e inglês... o que não deixa de ser um pouco chocante, apesar da convenção hollywoodiana... Aliás só já com o filme adiantado é referido que os jesuítas que partem em missão são portugueses e afinal poderiam talvez ser de outra nacionalidade qualquer que pouco adiantaria para a questão em causa - o que pode levar à apostasia, tal como Scorsese a põe.

Para um ateu, como é o meu caso, o grande interesse da obra acaba por residir na relação que tem com outras situações de repressão extrema, e não só religiosa, como a repressão política principalmente. No nosso País tivemos aliás os dois casos, ambos protagonizados no poder por católicos apoiados pela hierarquia religiosa - a inquisição (no século XVII a XIX, ao longo de 285 anos) e o fascismo salazarista (no século XX, ao longo de 48 anos), com a sua perseguição aos que se batiam pela liberdade. Neste último caso no comportamento na prisão perante as terríveis torturas, algumas acabando na morte, usadas para tentar que os prisioneiros falassem denunciando os companheiros de luta. No primeiro nas inimagináveis torturas, sempre acabando na morte para os que não cediam, para que se convertessem ao catolicismo.

Grande parte da obra de Scorsese mostra a violência de seres humanos contra os seus semelhantes e fá-lo, reconheça-se, sem nunca ser gratuito. Aliás entre os seus melhores filmes estão os que se dedicam a mostrar o gangsterismo no seu país, os EUA. Mas também aqui, em "Silêncio", há todo um repositório de métodos de violência extrema, desde à morte pela fogueira até à decapitação pura e simples. Não chega a chocar porque sabemos que é a realidade em períodos feudais semelhantes, no Ocidente ou no Oriente - em que "o povo é carne para canhão" e todas as arbitrariedades eram permitidas ao poder.

No entanto a coerência de Scorsese falha num ou noutro aspecto dos seus filmes e um deles que convém referir tem justamente por protagonistas, apresentados como vítimas, os budistas, mas num grande país do Oriente, vizinho do Japão e algumas vezes vítima do imperialismo japonês, a China, que se libertava do opróbrio do colonialismo ocidental de séculos, acabando por se converter num filme de propaganda anti-chinesa e anti-comunista, porque as novas ideias sociais são afinal as que entram em choque com o budismo mais tradicionalista. 

O que "Silêncio" vem uma vez mais demonstrar é o saber fazer cinema do grande realizador, ajudado por uma magnífica fotografia, que sublinha a miséria e as condições deploráveis em que viviam os camponeses no Japão no século XVII e, principalmente, o facto desta obra nos fazer pensar.