Cultura!

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OBJECTIVOS

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... Nos últimos tempos são maioritariamente meros comentários que fiz, publicados principalmente no facebook ou no correio electrónico, sempre a pensar em primeiro lugar nos amigos que eventualmente os leiam.
Gostaria muito de re-escrever os textos, aprofundando as opiniões, mas o tempo vai-me faltando...
As minhas estrelas (de 1 a 5), quando as houver, apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente. Gostaria de ver tudo o que vale a pena, mas também não tenho tempo...

sábado, 19 de dezembro de 2015

BALANÇOS 2015 - (II) - TEATRO

TOP 10 - AS MINHAS PREFERÊNCIAS DE 2015
(II)- NO TEATRO


A TRAGÉDIA OPTIMISTA, de Vsevolod Vichnievski / Rodrigo Francisco / CTA
AL PANTALONE, de Mário Botequilha / Miguel Seabra / Teatro Meridional
E OS TEMPOS MUDAM, de Bertold Brecht / Manfred Krage / Berliner Ensemble
FRÄULEIN JULIE (A MENINA JÚLIA), de August Strindberg/Katie Mitchell/Schaubuhne
GATA EM TELHADO DE ZINCO QUENTE, de Tennessee Williams/Jorge Silva Melo/A.U.
KILIMANJARO, de Ernest Hemingway/ Rodrigo Francisco / CTA
O CONTRABAIXO, de Patrick Süskind/António Fonseca / Teatrão
O PELICANO, de August Strindberg/ Rogério de Carvalho / CTA
RATOS E HOMENS, de John Steinbeck/ Armando Caldas / Intervalo G.T.
MEMÓRIA DA REFORMA AGRÁRIA, Luís Varela / CENDREV


OBSERV: Foi um ano em que fui muito menos ao Teatro, por razões de saúde. Estes foram os espectáculos de que mais gostei ao longo do ano. Note-se que AL PANTALONE foi uma revisão, na sessão de encerramento do Festival de Almada, mas foi tão brilhante que não quis deixar de referir de novo este ano! 


BALANÇOS 2015 - (I) - CINEMA

TOP 10 - AS MINHAS PREFERÊNCIAS DE 2015
(I)- NO CINEMA

1.1-LONGAS-METRAGENS:
AS MIL E UMA NOITES, de MIGUEL GOMES (POR)
FUTATSUME NO MADO (A QUIETUDE DA ÁGUA), de NAOMI KAWASE (JAP)
GUI LAI (REGRESSO A CASA), de ZHANG YIMOU (RPC)
IRRATIONAL MAN (O HOMEM IRRACIONAL), de WOODY ALLEN (USA)
MIA MADRE (MINHA MÃE), de NANNI MORETTI (ITA)
MISS JULIE, de LIV ULLMANN (SUE)
PHOENIX, de Christian Petzold (ALE)
QUE HORAS ELA VAI VOLTAR, de ANNA MUYLAERT (BRA)
SICARIO, de DENIS VILLENEUVE (CAN)
SPIRIT OF '45 (O ESPÍRITO DE 45), de KEN LOACH (GBR)

1.2-DOCUMENTÁRIO PREFERIDO:
CITIZEN FOUR, de LAURA POLTRAS (USA)

1.3-REVELAÇÂO:
MONTANHA, de JOÃO SALAVIZA (POR)

1.4-OBRA QUE MAIS DETESTEI ESTE ANO
BRIDGE OF SPIES (A PONTE DOS ESPIÕES), de STEVEN SPIELBERG (USA)


OBSERV: Notas sobre todos estes filmes podem ser encontradas ao longo da minha página do Facebook ou no meu blogue ou (os que passaram o crivo) no cartaz de cinema do Público. Falhei pouca coisa que possa admitir poder eventualmente  alterar esta lista...


NOTAS CINÉFILAS

Meia dúzia de obras, no teatro e no cinema, vistas recentemente (com estrelas de gosto e tudo, de 0 a *****!)

1-Tudo Vai Ficar Bem (Everything Will Be Fine), de Wim Wenders - um belo regresso do cineasta alemão aos temas que lhe são caros - um acidente transforma a vida das pessoas nele envolvidas e será necessário que o tempo passe para que todos deixem de responsabilizar os outros no acontecido. (***)

2-Ponte dos Espiões (Bridge of Spies), de Steven Spielberg
uma remasterização dos filmes da Guerra Fria no que eles tinham de pior - uma propaganda cheia de mentiras e ódio. Mais grave ainda por ser apresentada em invólucro de luxo: o savoir faire da máquina de Hollywood. (0)

3-Montanha, de João Salaviza
uma bela e agreste primeira longa-metragem de um jovem cineasta português, sobre o que é ser adolescente numa sociedade em declínio social e económico, onde o desemprego e a droga grassa, que é o Portugal do início do século XXI com a política de direita no poder. Com a mudança de política neste final de ano a esperança renasce, mas o filme é anterior... (***)

4-Minha Mãe (Mia Madre), de Nanni Moretti
Uma obra-prima deste cineasta, numa bela homenagem, ficcionada, a sua mãe, a todas as mães. A descrição dos sonhos dos personagens que atravessam a obra é um dos seus aspectos mais interessantes, revelando os seus estados de espírito perante a inevitabilidade do fim da existência de uma pessoa amada e admirada por muitos. (*****)

5-Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert
As relações entre patrões e criados, no seio da grande burguesia brasileira. Uma pedrada no charco do cinema populista, com uma obra dirigida com admirável inteligência e sobriedade. Episódio da Luta de Classes, visão marxista da sociedade, disseram alguns e eu concordo. Vai concorrer aos Óscares (se passar os escolhos das censuras...) e é mais que merecido. (****)

6-A Tragédia Optimista, de Vsevolod Vichnievski, encenada por Rodrigo Francisco, para a Companhia de Teatro de Almada
Uma peça escrita em 1932, na URSS, sobre a Revolução, por quem a viveu. Apesar da complexidade do tema, que pretende abarcar diferentes visões de como transformar a sociedade, não deixa de nos impressionar e principalmente fazer pensar. Só por isso, discorde-se ou não dos aspectos mais controversos da encenação e do próprio texto escolhido (a peça teve várias versões, talvez intenção de Vichnievski para a tornar mais clara, penso eu, e aqui pesa obviamente o que se quer salientar....) vale a pena assistir.

Interpretada por actores profissionais e muitos estudantes da Escola Superior de Teatro e Cinema, uma referência para a novel estrela da Companhia e não só, Ana Cris. (***)



sábado, 12 de dezembro de 2015

QUE HORAS ELA VOLTA, de ANNA MUYLAERT



QUE HORAS ELA VOLTA? 

de ANNA MUYLAERT, com Regina Casé

O regresso do CINEMA BRASILEIRO, que tanto apreciamos, com uma excelente obra, dirigida com inteligência e qualidade ao grande público.




As relações entre patrões e criados nos meios da grande burguesia brasileira. O oposto do olhar falso e subserviente de "Upstairs Downstairs", da televisão britânica, que nos revoltava por querer fingir que esse era o "melhor dos mundos", numa visão completamente do lado dos ricos e poderosos. 

Ao contrário Anna Muylaert mostra a realidade e a consciencialização crescente dos mais jovens.


As entidades públicas brasileiras responsáveis já a escolheram para concorrer ao melhor filme em língua estrangeira dos Óscares, os prémios da academia norte-americana de cinema.
Vi e gostei muito. 

Como eu gostaria que o cinema português para o grande público tivesse esta qualidade em vez de tomar esse público como atrasado e idiota como parece acontecer com algumas produções ultimamente estreadas, pretendendo copiar antigos sucessos. 

NÃO PERCAM !

(publicado no Facebook e no Cartaz de Cinema do Público)

MIA MADRE (MINHA MÃE), de NANNI MORETTI



MIA MADRE (MINHA MÃE), de Nanni Moretti (19-Ago-1953, Brunico, Itália)

“Mia Madre”, film di Nanni Moretti: 10 minuti di applausi al Festival di Cannes 2015 (lido na Net)

Considerada por muitos como uma grande obra de maturidade do celebrado realizador italiano, de quem tanto apreciamos a maioria dos seus filmes, o que concordo. 

Com muito de autobiográfico, embora seja ficção e o papel que o próprio Moretti, como actor, desempenha no filme não seja o seu. Podemos pensar que seja Marguerite Buy (magnífica interpretação como irmã!) que em parte o representa.

Homenagem à Mãe, admirável personagem, nas suas vertentes cívica (cidadã empenhada e anti-fascista) e intelectual (professora amada pelos alunos), a cujo final de vida assistimos no filme. 

E uma vez mais Moretti não se esquece de fazer um enquadramento político e social à sua obra, em pano de fundo suficientemente claro todavia. A filha (Marguerite Buy) é realizadora e assistimos a filmagens do seu novo filme sobre a actualidade das lutas dos trabalhadores numa época de exploração crescente.


Um dos aspectos muito interessantes do filme é a presença dos sonhos, vários ao longo da obra, que não deixam de nos fascinar, em especial, suponho, àqueles que sonham... 

Uma referência para o sonho mais cinéfilo de todos eles (haverá algum cinéfilo que não se emocione?) quando os dois irmãos percorrem a longa fila, imenso caudal humano, à porta de uma sala romana carismática, hoje encerrada devido à política fascizante e anti-cultura dos neo-liberais de que Berlusconi é o mais famigerado exemplo (e como nós compreendemos bem isso depois de pelo menos 4 anos de política igual, com gente igual!). 


 Claro que há nela uma referência óbvia ao mais ou menos longo caudal da vida, mas também há a nostalgia do tempo em que cinema era sinónimo de cultura para grandes massas e recordamos as "nossas filas", aquelas que nunca vamos esquecer, como a de "António das Mortes" (do grande Glauber Rocha), em Lisboa, que foi um acto de cultura e também de resistência anti-fascista (1972). 

Muito mais haveria a dizer sobre esta obra, mas aqui tenho que ser o mais sintético possível e nem sequer vou falar nos actores e actrizes, que são quase todos magníficos, apenas referir a interpretação de John Turturro, um grande actor (e também realizador) norte-americano, de ascendência italiana, que muito admiramos, e que é brilhante no papel do "grande astro estrangeiro" convidado, mas um tanto ou quanto cabotino, trazendo ao filme também algum humor.

No final da obra é difícil resistir à emoção, que me pareceu generalizada na sessão a que assisti, com a presença de vários escalões etários, mas admitindo que a experiência de vida, mais ou menos longa, possa ainda pesar mais. 

Emoção todavia nunca num sentido negativo, de mágoa desesperada. 


Uma vida termina, de alguém sem uma grande notoriedade pública, mas fica a memória dos que a conheceram, admiraram e amaram.

Um belíssimo filme, que as notícias vindas do Festival de Cannes deste ano dizem ter sido aceite pela grande maioria da crítica presente, mesmo ficando-se apenas pelo Prémio Ecuménico. Julgo que merecia mais.

(publicado no facebook) 
(não publicado no Cartaz de Cinema do Público...)

MONTANHA, de JOÃO SALAVIZA



MONTANHA, de João Salaviza

Obra bela e agreste 

Atravessar a adolescência é quase sempre subir a uma montanha, entre escolhos e veredas muitas vezes difíceis de ultrapassar, até descobrir novos horizontes. 


Mas muito mais complicado se torna quando se vive nas margens de uma sociedade em período de declínio, em que os horizontes e as esperanças estão reduzidos ao mínimo (de súbito renascem as esperanças, em Portugal, hoje, mas o filme ainda o não sabia). 

Sabemos, julgo eu, como os exemplos a as lições aprendidas nessa fase crucial da vida são importantes para a formação do carácter, por isso quase sempre com reflexo no resto da vida. A primeira longa-metragem deste jovem cineasta faz-nos pensar nisto e isso já é um mérito.




Acresce que o faz utilizando uma linguagem um pouco rara de ver no grande ecrã, embora ele nos fale de duas ou três grandes referências - Nicholas Ray, Robert Bresson, os manos Dardenne, em obras-primas, difíceis mas, por razões compreensíveis, detestadas por muitos... 



Não digo que tudo seja perfeito mas algumas cenas de MONTANHA vão ficar na nossa memória cinéfila. Para obra de estreia é notável!

(publicado no Facebook e Cartaz de Cinema do Público)

PARA VER E REVER

DO CINEMA E TEATRO AINDA PARA VER E REVER EM 2015



TUDO VAI FICAR BEM, de WIM WENDERS



EVERY THING WILL BE FINE (TUDO VAI FICAR BEM) 

Belíssimo filme de Wim Wenders, o autor de grandes obras como "Paris-Texas" e "O Amigo Americano", entre várias outras obras-primas. 

Também autor de obras com ou sobre Nicholas Ray, Michelangelo Antonioni , Pina Bausch e Sebastião Salgado, todos grandes nomes da Cultura, o que lhe tem valido aliás invejas e incompreensões.


Desde "Ao Correr do Tempo" (1976), o seu primeiro filme que vimos, que as suas imagens quase sempre nos fascinam. 

Isso volta a acontecer nesta nova obra, na magnífica ligação entre o olhar do cineasta sobre a paisagem e o estado de espírito das suas personagens. 


A não perder para quem puder, porque é, em minha opinião, do mais interessante em exibição em Lisboa, pela sua qualidade.

24-Nov-2015


domingo, 1 de novembro de 2015

DIÁRIO



Estas notas. pequenas e despretensiosas, que são principalmente sobre filmes, mas também sobre teatro ou outras artes de palco e até sobre algumas leituras relacionadas com a Sétima Arte, acabaram por quase se transformar numa espécie de diário, partilhando algumas das notas escritas na minha página do Facebook. 
Há diários que têm servido de referência para mim, na sua forma apenas, como o da revista francesa de cinema, "Positif", que entrega a secção em cada mês a um dos seus redactores. Por isso é desigual na qualidade e no interesse, mas gostamos sempre de lhe deitar uma olhada, concordemos ou não com os textos do crítico encarregado da função.
No meu caso optei apenas por falar do que gostei ou do que me possa eventualmente indignar. Espero que alguém ache ao menos interessante.



Trabalho de casa

REVER HAMLET



REVER HAMLET


O nosso maior actor vivo, no Teatro e no Cinema, grande encenador também, anunciou há menos de uma semana, na Cornucópia, para grande desgosto de todos os que amam o Teatro, a sua retirada.

Mais uma razão para não deixar de rever a sua brilhante encenação de HAMLET (reposta de 23 de Outubro a 15 de Novembro no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada).

Lembrar que esta encenação da peça, integral (ou quase), foi criada a partir da tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen (1987) que por sua vez seguiu a edição, talvez a mais completa, que abrange os "Quartos" (publicados ainda em vida de William Shakespeare) e o "Fólio" (póstumo). (eu não sabia e fiquei a saber ao ler uma nota do ilustre estudioso shakespeariano, Professor Grahame Broome-Levett, na edição de 1987).



As fotos seguintes são do famoso HAMLET, no cinema, realizado e interpretado por um enorme actor inglês, Laurence Olivier, em 1948. 

Brilhantes, a interpretação desse grande actor e dos que o acompanham nesse filme, e a realização nesta versão para o cinema, mais reduzida, de uma das mais famosas tragédias da dramaturgia universal. A luta contra a mentira, contra a intriga, contra a traição em mais que um aspecto, contra a ambição que tudo tenta esmagar à sua volta para atingir os seus fins (fez-me lembrar os esforços cavaquistas de manter o poder nas mãos dos seus correlegionários meio fascizantes...). 





O herói da peça hesita em punir os culpados e acaba assassinado às mãos de um amigo, também ele enganado pela mentira e pela calúnia e que, num supremo acto de traição, ataca Hamlet "pelas costas", contra toda a ética de um combate leal que aquele era suposto ser.

Laertes, Ofélia, Gertrudes, Hamlet, perecem vítimas da ambição de poder absoluto de Cláudio, o rei da Dinamarca.

NOTA: Não, não é a Ofélia que está sentada na relva à beira do castelo de Kronborg, o castelo de Hamlet, em Elsinore (ou Helsingor) na foto feita por mim.



AS MIL E UMA NOITES _ 1º VOL - O INQUIETO



Pequena nota sobre AS MIL E UMA NOITES, de Miguel Gomes

1º VOL - O INQUIETO

A crítica de cinema em França aplaudiu quase unanimemente: "uma obra sem equivalente, nunca se viu nada assim, um fogo de artifício, galvanizador, causa estupefacção" (citado na mais prestigiada revista da especialidade, a Positif, em Outubro deste ano).

Recomenda-se aos que gostam de bom .cinema e aos que gostam de ver a actual e lamentável realidade social do País, consequência das politicas de direita dos passos, portas e cavaco, reflectida cruamente no grande ecrã. Este filme é de facto uma obra anti-fascista!

Tal como outros grandes criadores, também Miguel Gomes foi seduzido pelas mil e uma noites, as dos contos que a escrava Xerazade vai narrando ao rei que a queria matar no final de cada noite, por vingança contra a sua mulher que se apaixonara por um escravo.

Tal como Rimsky-Khorsakov (1888) e Michel Fokine (1910), na Música e na Dança, tal como Pasolini, no Cinema (1974), tal como Nagib Mahfouz, o grande escritor egípcio, na Literatura (1982). 

Tenho a sorte de conhecer todas estas obras e gostar muito de todas elas. Tal como gostei muito do magnífico 1º Volume de "AS MIL E UMA NOITES", de MIGUEL GOMES. Falta-me ver as duas partes seguintes...

Não percam!




SICÁRIO (INFILTRADO)

SICARIO (Infiltrado)

do canadiano Denis Villeneuve (3-Out-1967, Trois Rivières, Quebec, Canadá)
Um thriller intenso e violento, a merecer uma visão.

Na fronteira, separada pelo Muro (magnifica a cena em que é sobrevoado), entre o México e os EUA, as lutas dos gangs da droga e das polícias venais.
Numa sociedade em que a droga tem um enorme peso, quase tanto quanto a indústria das armas, e depois dos magníficos "Raptadas" e "Homem Duplicado" (adaptação do romance homónimo do nosso Nobel, José Saramago), outra obra muito interessante, até pelos problemas que põe, na linha de outras obras do realizador.

Nos principais papéis, com excelentes desempenhos, a londrina Emily Blunt (23--Fev-1983) (na imagem) e o porto-riquenho Benicio del Toro (19-Fev-1967). 

Benicio, grande actor, com especial destaque para os desempenhos em "CHE", de Steven Soderbergh (2008), "Trafic", também de Soderbergh (2000) e "Selvagens", de Oliver Stone (2012), entre muitos outros, que lhe valeram 39 prémios e 37 nomeações - "CHE", em Cannes e um Goya, Trafic, um Óscar. Realizou um pequeno filme para a obra colectiva "7 Dias em Havana" (2012), que é bastante interessante, aliás como o conjunto. 


"Sicario", por causa do tema, fez-em vir à memória uma obra-prima absoluta, no entanto um tanto ou quanto esquecida (será que hoje continua incómoda?), TOUCH OF EVIL (A Sede do Mal) (1958), de um mestre, Orson Welles, que também a interpretava, no papel de um polícia estado-unidense corrupto,  contra o qual luta o polícia honesto, mexicano, interpretado por Charlton Heston, que aqui deve ter tido o seu melhor desempenho no cinema, ele que era um medíocre actor e  no aspecto cívico tornar-se ia notado por ter sido o presidente da associação norte-americana dos possuidores de armas de fogo (NRA - National Riffle Association of America). Aliás Michael Moore, o grande documentarista, tenta entrevistá-lo no seu famoso "Bowling for Columbine" (2003), onde abordava a violência nos EUA, tendo como ponto de partida o primeiro dos mediáticos grandes massacres numa escola, perpetrado por dois jovens estudantes!...



SEMANA CULTURAL DO INTERVALO GRUPO DE TEATRO - ENCERRAMENTO



A 36ª Semana Cultural do Intervalo Grupo de Teatro, terminou com a representação do último grande sucesso do Intervalo, a dramatização do romance RATOS E HOMENS, de John Steinbeck. Ver actores e espectadores não conseguiram suster as lágrimas e faltar-lhes a voz, tomada pela emoção, é muito raro e só pode acontecer quando um texto admirável chega ao coração e inteligência dos espectadores através da voz dos actores e da encenação. Aconteceu hoje de novo no Auditório Lourdes Norberto. Quem ainda não viu não perca as derradeiras representações este ano desta peça naquela sala (próxima semana, sexta e sábado, salvo erro). Não me envergonho de dizer que desta vez a emoção me venceu.

Agora estou cansado, depois de um mês e meio muito complicado para mim (mas o mau tempo por agora passou) e por isso não vou agora comentar a belíssima noite de ontem, com a homenagem ao Manuel Freire, o grande cantor da Pedra Filosofal (António Gedeão) e de Ouvindo Beethoven (José Saramago)! Depois falarei disto. 

Fica aqui o meu grande obrigado a este fantástico Grupo por estes espectáculos magníficos que nos dá, num trabalho admirável de Cultura para o povo! 

E que a interpretação da grande revelação, o jovem José Coelho, em Lennie, venha a ser premiada, porque este ano ainda não vi melhor, e já vi muito e muito bom ! 

11-Out-2015



ADENDA: Este é um texto sobre o encerramento da Semana Cultural do Intervalo Grupo de Teatro. Atenção que a peça ainda é exibida hoje, 17 de Outubro. Não percam, Amig@s, quaisquer que sejam as vossas ideias ou credos, porque julgo que é impossível ficar-se indiferente perante um espectáculo destes. Se ficassem também julgo que não seria vosso amigo. A Amizade para mim é incondicional mas pressupões meia dúzia de princípios fundamentais - um deles é obviamente o Humanismo e o respeito pelo Outro, seja em que condições Ele estiver.

17-Out-2015

As imagens seguintes são dos ensaios do Intervalo Grupo de Teatro, no Auditório Lourdes Norberto



NOTÍCIAS CINÉFILAS E NÃO SÓ



Ao ver televisão, aliás num dos programas que acho mais interessantes no momento, "Fora de Horas", fiquei satisfeitissimo ao ouvir citar por uma cantora de quem gosto muito - Manuela Azevedo, dos Clã, obras que não são só excepcionais, porque além disso gosto também muito delas. No cinema o "Homem Tranquilo" (Quiet Man), do John Ford e "Ran", do Akira Kurosawa (este baseado numa das obras máximas de Shakespeare, "Rei Lear", de que Álvaro Cunhal fez uma notável tradução). Dois filmes de que gosto muito e estarão sempre entre as minhas obras preferidas. 

Como se isso não bastasse ela lembrou também dois nomes da Música, que estão também muito ligados à 7ª Arte, Dmitri Shostakovich (o genial compositor soviético) e Tom Waits (lembrar as suas colaborações com Francis Ford Coppola, principalmente no admirável "Do Fundo do Coração"). 
Foi uma alegria e satisfação, até porque se prova uma vez mais que a grande qualidade e o belo são transversais às gerações!

A propósito gostava ainda de lembrar um momento único, em 27 de Fevereiro de 2003, num Forum Lisboa superlotado, com a projecção do "Nosferatu", de Murnau, com acompanhamento musical dos Clã, com a voz de Manuela Azevedo. 

Foi brilhantíssimo, o que aliás já havia sido ouvido no Porto, no âmbito do Porto 2001, Cidade Europeia da Cultura. Do tempo em que o Porto ainda era cultura porque depois viriam os anos cinzentos do pouco culto (entre outras coisas politicamente pouco recomendáveis..) Rui Rio, a partir do momento que este teve maioria absoluta...

No Forum Lisboa assisti e foi excepcional!


NA QUINTA NOITE



NA QUINTA NOITE

A 36ª Semana Cultural do Intervalo Grupo de Teatro continua a dar-nos grandes momentos, depois daquele início brilhante e quase insuperável, da homenagem ao Fernando Tavares Marques. 

Ontem foi mais uma noite que não esqueceremos, principalmente nós que somos cinéfilos, mesmo que modestos, com a homenagem a um dos nossos realizadores preferidos, e que em nossa opinião pertence ao top 10, por isso um dos nomes mais importantes do Cinema Português que, convém dizê-lo, é considerado pela crítica da especialidade, estrangeira e mais credível, como um dos mais interessantes da actualidade (Pedro Costa, Teresa Villaverde, Miguel Gomes, Manoel de Oliveira, recentemente desaparecido, etc e mais alguns novíssimos).

Jorge Leitão Ramos, crítico de cinema desde os idos anos 70 e autor do famoso Dicionário do Cinema Português (a que continua a faltar o 1º volume, dos primórdios até 1962 e uma actualização recente, obviamente) fez uma interessante cronologia da obra de José Fonseca e Costa, o homenageado dessa noite, dando-nos até a magnífica notícia de que o grande realizador não está parado e continua a filmar "Axilas", escrito em conjunto com Mário Botequilha, o autor da notável peça "Al Pantalone", que o Miguel Seabra encenou para o Teatro Meridional e ganhou o prémio do público em 2014 no Festival de Teatro de Almada, de que aliás gostámos muito de ver este ano, com honras de espectáculo de encerramento, naquele que é um dos mais importantes festivais de teatro por esse mundo fora.

Em 1971 Fonseca e Costa realizou a sua primeira longa-metragem, um surpreendente "O Recado", que era um recado contra o fascismo salazarista que então continuava a asfixiar e destruir aos poucos o nosso País e o melhor no nosso povo. A terrível, omnipresente, muitas vezes tacanha (provocando até às vezes as risadas dos censurados), a sempre medíocre censura deixou-o passar praticamente incólume por pensar provavelmente que não chegaria ao "bom povo português", como os fascistas gostavam de caracterizar um povo revoltado mas amordaçado de quem os melhores eram lançados nas prisões depois de torturados e muitas vezes assassinados.

Poucos dos espectadores desta noite cultural se terão dado conta (e o homenageado só no final) da presença entre os que esgotaram o auditório Lourdes Norberto, de outro nome grande do cinema português, o decano dos produtores portugueses e às vezes também actor (como no magnífico "Tabu", de Miguel Gomes), Henrique Espírito Santo. É que ele participou nos anos 50 e 60, com José Fonseca e Costa, no movimento cine-clubista, tendo ambos feito parte da mesma direcção do Cine-Clube Imagem, e pouco depois ambos seriam presos pela PIDE, acusados de "actividades subversivas", conduzidos ao Aljube, em trânsito para Caxias, onde Henrique Espírito Santo estaria um ano e meio. Mas o fascismo não os conseguiu destruir ou amedrontar e ambos participaram nos primeiros projectos de José Fonseca e Costa no cinema, nomeadamente na curta-metragem "Regresso à Terra do Sol", realizada em Angola (1967), donde o realizador é natural, e da longa-metragem já citada "O Recado" (1971), nas quais Henrique Espírito Santo foi o Director de Produção. Ambos fariam depois notáveis carreiras, cada um na sua especialidade, e tendo o segundo colaborado nalgumas das obras do realizador, nomeadamente em "Balada da Praia dos Cães" e "Cinco Dias Cinco Noites". 

Não quero concluir esta nota sem referir que as minhas obras preferidas entre as realizadas por José Fonseca e Costa e que considero aliás grandes filmes da cinematografia portuguesa, são o já citado "O Recado" (72), "Kilas, o Mau da Fita" (80), "Sem Sombra de Pecado" (83), "A Balada da Praia dos Cães" 

(adaptando o romance homónimo de José Cardoso Pires) (87), "Cinco Dias Cinco Noites" (adaptação da novela homónima de Manuel Tiago, pseudónimo de Álvaro Cunhal) (96) e não esquecendo uma obra injustamente esquecida, mas que Jorge Leitão Ramos citou, que é "Viúva Rica Solteira Não Fica" (2006), filme de que gostei muito a quando da estreia, apesar das reticências da maior parte da crítica. 

E, na segunda parte deste evento cultural, surgiu o excepcional momento musical com o concerto dado por um dos maiores nomes da actual Música Portuguesa, Camané. Foi brilhante em várias interpretações do seu magnífico repertório. É que não é só a voz que é de superior qualidade, são também os textos dos seus fados e canções que são muito interessantes. Foi um fecho para o qual é difícil arranjar palavras, dada a sua enorme qualidade artística.

Obrigado, ao Intervalo Grupo de Teatro e a todos os que o compõem, por mais esta noite memorável.





SEMANA CULTURAL DO INTERVALO GRUPO DE TEATRO (II)



NA SEMANA CULTURAL DO INTERVALO GRUPO DE TEATRO

Ontem, 7 de Outubro, Quarta-Feira, foi a homenagem a um grande nome da rádio, da Antena 1, Armando Carvalhêda, uma voz que nos habituámos a admirar e respeitar, nomeadamente através do programa que apresenta (e pode ser visto ao vivo, actualmente no Auditório do Teatro da Luz) o magnífico VIVA A MÚSICA, que Ana Sofia Carvalhêda, sua filha, também apresenta.
Ambos são os produtores do belíssimo clip sobre os 80 Anos da Rádio Pública. Reconheço que nunca consigo vê-lo sem uma certa emoção. Porque sou, como diz o Armando Caldas, também um ouvinte que continua a gostar muito da rádio, mais que de televisão (tem também a ver com a qualidade dos programas, mas não só...) .

“Um não sei quê de alegria”, hino dos 80 anos da rádio pública - YouTube



A intervenção principal da sessão, a cargo do músico António Manuel Ribeiro (UHF), foi interessantíssima e a parte musical a cargo do Rogério Charais excelente, até porque ele não se esqueceu do seu grande sucesso, o famoso SUBMARINO IRREVOGÁVEL que voltou a entusiasmar (e a fazer rir) os espectadores que mais uma vez esgotaram o auditório Lourdes Norberto. Parabéns ao Armando Caldas e ao Intervalo Grupo de Teatro!




sábado, 31 de outubro de 2015

SEMANA CULTURAL DO INTERVALO GRUPO DE TEATRO (I)



SEMANA CULTURAL DO INTERVALO GRUPO DE TEATRO 2015

1º DIA - HOMENAGEM A FERNANDO TAVARES MARQUES

A 36ª Semana Cultural do Intervalo Grupo de Teatro começou dia 5 de Outubro, segunda-feira, com uma noite que nunca vamos esquecer, pela qualidade e principalmente pela emoção que atravessou o espectáculo, do palco para a plateia e vice-versa.
Foi o dia da homenagem ao poeta, actor e leitor de poesia, autor de peças principalmente para a infância, Fernando Tavares Marques, cuja actividade neste grupo de teatro já vem desde os seus primeiros tempos até ao recente e enorme êxito da dramatização do romance "Ratos e Homens", de John Steinbeck, onde o actor, num dos dois papéis principais julgo que atingiu um dos níveis de representação mais elevados da sua já longa carreira, no teatro, cinema e televisão.

Em todas estas actividades este Homem tem revelado uma qualidade que o poderia ter guindado a um lugar de destaque na cultura do nosso país. 

Se isso porém, incompreensivelmente, não tem acontecido resulta certamente do facto deste grande actor e poeta estar permanentemente envolvido em múltiplas actividades em prol de uma sociedade mais justa e fraterna, que lhe deixam pouco tempo para as tarefas pessoais, como as de promoção pessoal, que muitos fazem afanosamente. 

Ficamos por isso admirados por os seus excelentes poemas, por vezes belíssimos, não estarem publicados em livro ou não existir um disco a eles dedicado.

Mas para além de tudo isto este é um cidadão solidário e fraterno que é, para todos nós, um exemplo de dedicação à luta pela melhoria de vida dos seus concidadãos.

Não admira por isso os belíssimos textos e intervenções que lhe dirigiram o escritor e poeta, Domingos Lobo, o jornalista e crítico de televisão, Correia da Fonseca, o jornalista e crítico de cinema e artes de palco, Tito Lívio. 

Ficaram registados na nossa memória o verso de Atahualpa Yupanqui, "yo tengo tantos hermanos que no los posso contar", da famosa e belíssima canção "Los Hermanos", que Correia da Fonseca citou ao referir-se ao cidadão Tavares Marques. Ou uma das mais belas e tocantes homenagens que se podem fazer a um actor que é oferecer-lhe a leitura da obra-prima "O Actor", do enorme poeta que foi Herberto Hélder, lida por Tito Lívio. 
Foi emocionante também ver como o actor e encenador Armando Caldas, director e encenador principal do Intervalo Grupo de Teatro, se dirigiu ao seu "Irmão" Fernando Tavares Marques, testemunhando uma amizade de quase meio século, que nenhuma vicissitude destruiu.

Ou como o maestro e músico, Luís Macedo, também magnífico colaborador do Intervalo em tantos e tantos espectáculos, lhe ofereceu a interpretação de alguns dos seus muito belos poemas, por si musicados e interpretados e tocados por ele e seus dois jovens acompanhantes.

A fechar a noite, na resposta a um convite do próprio homenageado, o seu conterrâneo de juventude e cantor, Jorge Fernando, acompanhado pela jovem revelação do fado, Filipa Cardoso e os seus três magníficos músicos, apresentou algumas das belas canções que constituem o seu repertório, quase todas da sua autoria.

E foi num ambiente emocionado que o público que esgotou o Auditório Lourdes Norberto e todos os artistas presentes homenagearam de pé Fernando Tavares Marques, num longo e sentido aplauso.

6 de Outubro de 2015



HOMEM IRRACIONAL

HOMEM IRRACIONAL (Irrational Man)

O meu regresso auspicioso às salas de grande ecrã depois de prolongada ausência, forçada.
Tal como as personagens e o seu criador também eu sou fiel admirador das obras de Dostoievski.
Mas o drama acaba por se transformar em sorrisos perante o humor, inteligente e subtilmente irónico, deste grande Autor, Woody Allen. 
Com Emma Stone e Joaquin Phoenix.

Um prazer cinéfilo!

(visto nas Amoreiras, Lisboa, em 3-Out-2015)



Obs: 
Peço desculpa da  escassez de comentários. Gostaria de fazer algo de mais completo, com resenha biográfica de autor, actores e escritor citados no nota, além de uma opinião mais fundamentada em aspectos da obra. Quando tiver tempo fá-lo-ei, porque gostei muito deste filme, repito, pela sua inteligência e humor. A cena final no elevador é, ao mesmo tempo, trágica e irresistivelmente irónica e mesmo cómica. Muito woodyliana... 

ARDENTE PACIÊNCIA



ARDENTE PACIÊNCIA (Ardiente Paciencia), de Antonio Skármeta

Julgo que muito poucos amigos/as, mesmo os que são cinéfilos (até alguns serão "ratos de cinemateca" - sem nenhum sentido perjorativo, bem pelo contrário!) conhecerão este belíssimo filme, homenagem ao grande poeta Pablo Neruda, Nobel da Literatura, que o celebrado escritor chileno Antonio Skármeta, autor do romance homónimo, também conhecido por O CARTEIRO DE PABLO NERUDA, realizou ele próprio em Portugal, com alguns actores profissionais e muitos amadores sem experiência, quase todos chilenos no exílio, como Skármeta, saídos do Chile depois do golpe fascista da CIA e de Pinochet, em Setembro de 1973, que levou ao assassínio do Presidente Salvador Allende e de milhares de patriotas chilenos. 

A obra foi realizada em Portugal em 1983, com colaboração de técnicos portugueses e produzida por Henrique Espírito Santo, um dos grandes nomes do cinema português. Muito mais perto do romance original de Skármeta que a obra homónima que o cineasta inglês Michael Radford haveria de transformar num dos maiores sucessos comerciais de obras de qualidade (mais de 2 anos de exibição ininterrupta no saudoso Cinema Mundial, em Lisboa). 

A obra de Skármeta tem no entanto uma autenticidade, de que resulta também uma enorme beleza, que o cinema comercial raramente consegue atingir por muitos méritos que tenha o filme de Radford. 



O realizador Antonio Skármeta e o produtor Henrique Espírito Santo procuraram encontrar nas belas e agrestes paisagens da nossa costa, algures entre a Figueira da Foz e Mira, algo que conseguisse reproduzir a Isla Negra, onde Neruda viveu grande parte da sua vida (filmar no Chile dominado pelos fascistas seria obviamente impossível). E julgo que ficaram satisfeitos com o resultado.

Se alguma vez conseguirem ver este admirável ARDIENTE PACIENCIA não percam. Belo e trágico. Realista e emocionante.










BLOGUISTA DE REGRESSO

Depois de mais de dois meses de ausência forçada regresso a este espaço. 
Obviamente que não são só as publicações que rareiam, é também o ter perdido muito do me interessava. 
Lamento em especial o ter faltado a espectáculos e eventos culturais que não são repetíveis e dos quais nem sequer existem gravações, as  quais seriam obviamente sempre limitadas.




quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A PROPÓSITO DE UM TÍTULO



A PROPÓSITO DE UM TÍTULO



Um acidente googliano afectou em tempos este blogue. Espécie de "acidente cardio-vascular", que interrompeu as ligações de imagem. Não teve solução imediata. E também não sei o que o provocou... Sabotagem? Não acredito. Sou um simples e modesto cinéfilo. Publiquei alguma imagem carecida de autorização? Talvez.

Recarreguei pacientemente parte das imagens, mas como quase todos os textos eram acompanhados de uma delas, mais de uma centena desses textos continuaram sem ilustração... Obviamente que não vou ter tempo para voltar à forma inicial.

Nota: a foto actual foi feita por mim no Jardim da Estrela, em Lisboa (23-Set-2012)


A fotografia de capa já não é, devido a esse acidente (?) googliano, o célebre fotograma do filme “Na Cidade Branca” (Dans la Ville Blanche) (1983), do cineasta suíço Alain Tanner (Genebra, 1929), uma obra magnífica sobre a nossa cidade, de um realizador de quem sempre gostámos muito. Houve um crítico (Yann Lardeau, Cahiers du Cinéma) que escreveu nessa época que o filme se poderia ter chamado “Lisbonne, Symphonie d’une Ville”.



A escolha que fiz para nome deste blogue mais ou menos cinéfilo, foi uma forma de homenagem ao cinema do velho continente europeu, onde aliás o cinema nasceu (Méliès, os manos Lumière), que tanto aprecio. 

Homenagem também a um cineasta, o suiço Alain Tanner, de quem tanto gostamos desde os anos 60 do século XX. "Na Cidade Branca" (Dans la Ville Blanche) é um dos seus titulos mis conhecidos entre nós (e mais amados) por ter sido filmado na nossa bela cidade, Lisboa, onde a actriz portuguesa, do teatro e do cinema, Teresa Madruga, em Rosa, personagem pela qual ficará na história do Cinema. contracena com Bruno Ganz, no papel de Paul, o marinheiro que aporta a Lisboa e se vai deixando ficar, e se apaixona por Rosa, até ter de partir outra vez. 



Não terá sido provavelmente Alain Tanner o primeiro a utilizar o nome "cidade branca" para designar Lisboa, o que tem a ver com a luminosidade, suave e rara, desta velhíssima urbe, muito mais antiga que a nossa nacionalidade de quase nove séculos, cidade localizada à beira do Atlântico mas que, pela sua configuração e gentes, tem muito de mediterrânica, de árabe, de africana. Agora até já há quem lhe chame "cidade negra", mas desta vez por causa da imigração, que pouco a pouco misturou velhos com novos lisboetas, tornando-a. no dizer de muitos, na cidade mais africana da Europa, o que não deixa de ser um belo elogio.








sábado, 15 de agosto de 2015

ELOGIO DO CINEMA



ELOGIO AO CINEMA: HÁ MAR E MAR... ESTE É APENAS UM. HÁ OUTROS, TÂO OU MAIS IMPORTANTES. 

Não fui eu que programei mas podia ter sido (e não sei quem foi) atendendo às obras escolhidas. A não perder porque é quase sempre muito belo. Não vou dizer que concordo com tudo o que está escrito nas notas da respectiva programação (embora concorde com muito, quase tudo), da responsabilidade da Cinemateca Portuguesa, mas vale a pena ler para relembrar as obras que vão ser exibidas neste ciclo de Julho, antes da instituição fechar um mês, para férias.




Excertos de notas na programação da Cinemateca Portuguesa:

Dia 3, Sexta-feira, 22:30 SUMMER OF 42 Verão 42 de Robert Mulligan com Jennifer O’Neill, Gary Grimes, Jerry Houser, Oliver Conant Estados Unidos, 1971 – 103 min / legendado em espanhol | M/12 Eis seguramente um dos mais célebres filmes de Robert Mulligan. História de uma iniciação no amor, filmada com a sensibilidade e a atenção ao detalhe emocional tão típicas do cineasta. (...)

Dia 10, Sexta-feira, 22:30 PIERROT LE FOU Pedro, o Louco de Jean-Luc Godard com Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Samuel Fuller França, 1965 – 109 min / legendado em português | M/12 Emblema dos anos sessenta, emblema do cinema moderno, PIERROT LE FOU adquiriu há muito tempo o estatuto de clássico. O mais famoso filme de Godard, de “uma beleza sublime” no dizer de Louis Aragon, continua a entusiasmar as novas gerações que o descobrem. (...)

Dia 17, Sexta-feira, 22:30 PAULINE À LA PLAGE Pauline na Praia de Eric Rohmer com Arielle Dombasle, Amanda Langlet, Féodor Atkine, Pascal Grégory França, 1982 – 94 min / legendado em português | M/12 A série “Comédias e Provérbios” consta de seis filmes, como os “Contos Morais”. (...)PAULINE À LA PLAGE, terceiro filme da série, confronta os jogos de sedução e desejo de adolescentes e de adultos, no período estival, em Deauville. 



Dia 24, Sexta-feira, 22:30 LE RAYON VERT O Raio Verde de Eric Rohmer com Marie Rivière, Vincent Gauthier, Rosette França, 1986 – 98 min / legendado em português | M/12 Sexto e último filme da série “Comédias e Provérbios”, sob a epígrafe de um verso de Rimbaud: “Ah, que venha o tempo / em que os corações se apaixonam!”. (...)

Dia 31, Sexta-feira, 22:30 AGOSTO de Jorge Silva Melo com Christian Patey, Olivier Cruveiller, Marie Carré, Manuela de Freitas, Pedro Hestnes, Glicínia Quartin, Isabel Ruth Portugal, 1988 – 98 min | M/12 Jorge Silva Melo adaptou muito livremente o romance de Cesare Pavese A Praia. A paisagem física é a serra da Arrábida e as suas praias, de uma luz deslumbrante e dourada no verão. As pessoas singulares que aí habitam, vivem um vazio “antonioniano” que Jorge Silva Melo transpôs para o cinema português.


REGRESSO A CASA (GUI LAI) de ZHANG YIMOU



"REGRESSO A CASA" (GUI LAI)

"Regresso a Casa" (Gui Lai) é um belíssimo melodrama, uma história de um grande amor, realizada pelo cineasta chinês, Zhang Yimou, um dos mestres do cinema contemporâneo, com o lirismo, a contenção e a beleza formal habituais, permitindo mais uma grande interpretação à muito bela actriz Li Gong (Feng Wanyu), magnificamente acompanhada por Chen Daoiming (no seu companheiro Lu Yanshi) e Huiwen Zhang (em Dandan, a filha bailarina).

O autor de obras admiráveis de movimento e espectáculo, como "Herói", "O Segredo dos Punhais Voadores", "A Maldição da Flor Dourada", etc, oferece-nos agora uma obra intimista, tendo como pano de fundo anos conturbados da vida social no país mais populoso do mundo, no seguimento das brutais invasões do seu território pelo imperialismo japonês, antes e durante a 2ª Grande Guerra (que Yimou aliás mostrou no seu extraordiário filme anterior, "As Flores da Guerra", baseado num romance da mesma autora de "Regresso a Casa") e da libertação do povo chinês da escravatura e da miséria em que vivia sob o regime colonial britânico (Revolução de 1 de Outubro de 1949, conduzida pelo Partido Comunista). 

O argumento do filme é passado durante e depois do período da revolução cultural chinesa, que durou uma década (1966-1976), em que o protagonista, um professor tal como a companheira, é preso, acusado de desvios ideológicos (não chegamos a perceber quais, apenas que defendeu, a contra-corrente na família, que a filha podia dedicar-se como gostava à profissão de bailarina) e mais tarde reabilitado. Na altura da prisão perde os apoios da família, incluindo o da filha, a jovem bailarina, e dos amigos.

Obra para ser vista com emoção - história de um amor que já não pode regressar igual, pela perda irreversível da memória de um dos amantes, mas também com muita atenção por todos os que almejam um mundo melhor, em que o povo seja poder e a exploração do homem pelo homem erradicada, para que não se esqueçam nunca das dificuldades de um período histórico iniciado por uma revolução progressista e popular e dos grandes perigos do radicalismo, mesmo no seio de um partido comunista, que no caso da China fez a Revolução e tomou o poder. 

Saliente-se que o argumento da obra não tende, em minha opinião, em nenhum momento para o reaccionarismo ideológico, tão comum hoje na comunicação social dominante, a que não escapam sequer e em geral os prospectos da distribuição...

A obra é uma adaptação do romance homónimo da famosa escritora chinesa da diáspora, Geling Yan (Shangai, 16-Nov-1958), actualmente vivendo em Berlim. Com dezenas de obras publicadas, na China onde são das mais lidas, justamente como "Regresso a Casa", e no estrangeiro, incluindo em português. 

A obra foi filmada em Beijing, na República Popular da China







sexta-feira, 14 de agosto de 2015

HOMENAGEM A SEBASTIÃO SALGADO

Nem todas as fotos são de GÉNESIS, a belíssima exposição que esteve uns meses em Lisboa, no edifício da Cordoaria Nacional. 

A nossa admiração é muito grande por este grande fotógrafo, em nossa opinião um dos melhores de sempre e de que mais gostamos. 

O seu olhar sobre o outro tem sempre o consentimento deste e procura sempre dar-lhe toda a dignidade, ainda que muitas vezes o fotografado esteja em condições de vida e trabalho muito difíceis. 

Em GÉNESIS a Terra é o tema principal, em zonas do globo em que a poluição parece não ter ainda chegado, Salgado fotografa também os seres que nelas habitam, incluindo principalmente os humanos. 

Sai-se desta exposição com a convicção que nada está perdido e é que possível mudar, politica e económicamente, e cortar com o caminho a que o sistema capitalista tem conduzido nos últimos dois séculos a evolução das sociedades, pondo em perigo a vida, principalmente a humana, no nosso planeta. 

O projecto, de Sebastião e da sua companheira Lélia, de reflorestamento na sua área de naturalidade, no Brasil, é outro factor para a nossa admiração pelo casal Salgado.








Adendas: 
Numa das fotos Sebastião está com o seu filho Julião e o grande cineasta Wim Wenders, autores de "O SAL DA TERRA", belíssimo documentário sobre o seu álbum GÉNESIS, aliás estreado este ano em Lisboa (ver neste blogue uma nota sobre essa obra, vista em 20 de Abril).
Numa outra foto ele e Lélia estão com dois dos nomes maiores da fotografia, ambos franceses - Willy Ronis (14-Ago-1910 - 19-Out-2010) e Robert Doisneau (14-Abr-1912 - 1-Abr-1994). 
O texto sobre Sebastião Salgado, numa das imagens, foi escrito em Maio de 2009, por este modesto escriba.