Cultura!

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OBJECTIVOS

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... Nos últimos tempos são maioritariamente meros comentários que fiz, publicados principalmente no facebook ou no correio electrónico, sempre a pensar em primeiro lugar nos amigos que eventualmente os leiam.
Gostaria muito de re-escrever os textos, aprofundando as opiniões, mas o tempo vai-me faltando...
As minhas estrelas (de 1 a 5), quando as houver, apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente. Gostaria de ver tudo o que vale a pena, mas também não tenho tempo...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



BALANÇOS DE 2013 – Momentos de Cultura

Para fechar os meus balanços principais de 2013

(1)- As Homenagens:

Num ano que foi marcado pelas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, com 3 momentos fundamentais a que pude assistir (mas houve muitos mais), emocionantes e de grande adesão de público – Sessão Cultural Evocativa, na Aula Magna, Lisboa (23-MAR); Exposição no Pátio da Galé, ao Terreiro do Paço, Lisboa (MAI); Comício Comemorativo, Campo Pequeno, Lisboa (10-NOV)



Houve também as homenagens a personalidades do Teatro que muito admiro: a Luzia Maria Martins, a encenadora, autora e directora do Teatro Estúdio de Lisboa, com a bela designação de “Uma Mulher no Teatro e no Mundo”, exposição na SPA (10-JAN); a Joaquim Benite, um grande homem de Teatro, encenador, director da CT de Almada e criador do Festival de Teatro de Almada, no decorrer da Festa do Avante (8-SET); a Armando Caldas, o actor da companhia Teatro Moderno de Lisboa, e actual encenador e director do Intervalo Grupo de Teatro, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide (10-MAI);





(2)- Os Museus e as Exposições:

A inauguração do belíssimo espaço, num projecto de Siza Vieira, para um grande nome da nossa Cultura: Atelier-Museu de Júlio Pomar (JUN)

(3)- Os Concertos:

Escolhi um Concerto de Natal, pela Orquestra de Câmara Portuguesa e Coro Lisboa Cantat, porque me surpreendeu o interesse dos habitantes da cidade, de todas as idades, pela grande música, enchendo completamente, a deitar por fora, a Igreja de S.Domingos, Lisboa, para ouvir Haydn e Beethoven (22-DEZ)

(4)- Os Festivais:

incontornáveis e únicos, pela qualidade e adesão

Escolho aqueles a que nunca gosto de faltar e não falto (a menos que algo me impeça): O DOCLISBOA (de cinema, na área documental) (OUT) e o Festival de Teatro de Almada (ao nível de Avignon ou Edimburgo, segundo os entendidos, estrangeiros, que nos visitam)(JUL)

(5)- Uma Semana Cultural

De carisma difícil de igualar para quem tem a felicidade de a conhecer, num espaço intimista e por isso limitado em termos de dimensão

A do Intervalo Grupo de Teatro, em Linda-a-Velha, Oeiras (OUT)




(6)- E para terminar a Festa das Festas



A Festa do Avante, com 3 dias de Cultura de grande qualidade, incluindo o desporto e o debate político, no “espaço com maior índice de fraternidade por metro quadrado existente em Portugal” (SET)










quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

BALANÇO NO TEATRO 2013

BALANÇO DO QUE MAIS GOSTEI NO TEATRO EM 2013

obs: por razões pessoais, de saúde e outras, falhei muita coisa- Por isso este balanço tem só o objectivo de salientar a importância que continua a ter para mim ser espectador de teatro

OS DEZ MAIS:

- 4 AD HOC, de Eugène Labiche, enc. Luís Miguel Cintra, Cornucópia
- DIÁRIO DE UMA CRIADA DE QUARTO (Le Journal d’une Femme de Chambre), de Octave Mirabeau, enc. Armando Caldas, Intervalo Grupo de Teatro
- EM DIRECÇÃO AOS CÉUS, de Odon von Horváth, enc. Rodrigo Francisco, Companhia de Teatro de Almada (CTA)
- NOITE (A), de José Saramago, enc. José Carlos Garcia
- PAPALAGUI (O) (Le Papalagui), apartir de Eric Scheuermann, enc. Hassane Kassi Kouyaté, Compagnie Deux Temps Trois Mouvements
- PELICANO (O), de Auguste Strindberg, enc. Rogério de Carvalho, CTA
- TIMÃO DE ATENAS (O), de William Shakespeare, enc. Joaquim Benite /Rodrigo Francisco, CTA
- ÚLTIMA GRAVAÇÃO DE KRAPP (A) (Krapp’s last tape), de Samuel Beckett, enc. Peter Stein, prod e interpretação de Klaus Maria Brandauer
- UM DIA OS RÉUS SERÃO VOCÊS, textos de Álvaro Cunhal, enc. Joaquim Benite / Rodrigo Francisco
- VICTOR, OU AS CRIANÇAS AO PODER (Victor ou les enfants au pouvoir), de Roger Vitrac, enc. Emmanuel Demarcy-Mota, Théâtre de la Ville, FTA


E uma saudação especial para os trabalhos das companhias de teatro - DOS ALOÉS, ARTISTAS UNIDOS, BARRACA, COMUNA, CORNUCÓPIA, CT de ALMADA, INTERVALO GT, TEATRO ABERTO, TEATRO MERIDIONAL, companhias de teatro da minha cidade, cujos espectáculos procuro seguir sempre que me é possível. E há mais, mas estas foram as que segui com mais assiduidade... Sem a presença delas sentir-me-ei muito mais pobre.


E de um livro publicado em 1992, por um grande homem do teatro, principalmente como teatrólogo, escritor e jornalista, que assinou os seus escritos com o pseudónimo de Carlos Porto. 
Só agora o li, talvez porque não lhe tenha sido dado o devido relevo na altura e me passou. Todavia é de um grande fascínio para quem goste de Teatro: “FÁBRICA SENSÍVEL”.





VER CINEMA - em Janeiro de 2014

VER CINEMA, em Janeiro

Seleccionei 12 filmes, mais uma estreia em Portugal. O que têm de comum estas obras? Apenas o gostar muito delas (o da estreia não sei porque ainda não vi, mas gosto muito do resto da obra de Paulo Rocha,  de VERDES ANOS à A ILHA DOS AMORES, até O RIO DO OURO) e também serem, na minha opinião, obras admiráveis.
Embora haja mais alguns grandes filmes para ver em Janeiro, estando limitado a doze, optei por estes.
Dias e horas de exibição estão na programação em www.cinemateca.pt

Os filmes:

1934, A Imperatriz Vermelha,The Scarlet Empress, Joseph von Sternberg, EUA
1940, Rebecca, Alfred Hitchcock, EUA
1944, Laura, Otto Preminger, EUA
1944, Ter ou Não Ter, To Have or Have Not, Howard Hawks, EUA
1954, Johnny Guitar, Nicholas Ray, EUA
1954, Os Amantes Crucificados, Chikamatsu Monogatari, Kenji Mizoguchi, JAP
1964, Charulata, Satyajit Ray, ÍNDIA
1984, Era uma vez na América, Sergio Leone, EUA
1984, Paris, Texas, Wim Wenders, RFA/FRA
1987, Gente de Dublin, The Dead, John Huston, EUA
1994, A Casa de Lava, Pedro Costa, POR
1994, Querido Diário, Caro Diario, Nanni Moretti, ITA
2012, Se Eu Fosse Ladrão... Roubava, Paulo Rocha, POR

Em estreia em Portugal: (texto da programação da Cinemateca)

«Apresentado mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Locarno de 2013, "SE EU FOSSE LADRÃO... ROUBAVA" vai agora ser exibido na Cinemateca, na que será a primeira projeção pública em Portugal do último filme de Paulo Rocha. Rocha, que morreu em Dezembro de 2012, concebeu este filme como uma espécie de súmula, de uma vida e de uma obra – e “vida” e “obra” são objecto de constante ligação ao longo do filme, num diálogo onde o que é iluminado é tão importante como o que é obscurecido. O facto de Paulo Rocha já não ter assistido à estreia apenas salienta a dimensão “testamentária” que está no fulcro do filme – este é o “testamento cinematográfico” de um dos mais marcantes cineastas da história do cinema português. E a sua revelação ao público – que com esta sessão na Cinemateca começa mas não termina – constituirá um dos acontecimentos-chave do cinema em Portugal durante 2014.

SE EU FOSSE LADRÃO… ROUBAVA, de Paulo Rocha (Porto, 22-Dez-1935 , 29-Dez-2012)
com Isabel Ruth, Luís Miguel Cintra, Márcia Breia, Chandra Malatitch, Raquel Dias, Carla Chambel,Joana Bárcia, Miguel Moreira, Norberto Barroca
Portugal, 2012 – 100 min


> SEX. [31] 21:30 | SALA DR. FÉLIX RIBEIRO »


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

BALANÇO CINÉFILO 2013

BALANÇO CINÉFILO 2013 – em 31-DEZ-2013

Esta é a minha lista definitiva do que mais gostei no grande ecrã de cinema.
À lista provisória, feita em Novembro, só faço uma alteração: incluir o último filme dos Coen, que coloquei a par do filme do Abbas Kiarostami...
OS 10 MAIS (ordem alfabética...)
Até Amanhã. Camaradas, de Joaquim Leitão
Blue Jasmine, de Woody Allen
O Capital, de Costa-Gravas
Django Libertado, de Quentin Tarantino
A Essência do Amor (To the Wonder), Terrence Malick
Eu e Tu, de Bernardo Bertolucci
Like Someone in Love, de Abbas Kiarostami / Inside Llewyn Davis, de Ethan e Joel Coen
Não, de Pablo Larrain
O Profundo Mar Azul, de Terence Davies
Vénus de Vison, de Roman Polanski

OS DOCUMENTÁRIOS PREFERIDOS
A Mãe e o Mar, de Gonçalo Tocha
A Última Encenação de Joaquim Benite - Não basta dizer "Não", de Catarina Neves

UMA SURPRESA
Frances Ha, de Noah Baumbach

UMA DESILUSÃO
Antes da Meia-Noite, de Richard Linklater

UMA (RE)VISÃO MAGNÍFICA
Tio Vânia, de Andrei Mikhalkov-Konchalovsky

UMA REFERÊNCIA FINAL
A um filme relativamente modesto, sem pretensões cinéfilas, mas cuja visão nos deu prazer por ter a
 ver connosco: A GAIOLA DOURADA, de Ruben Alves



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

LEITURAS - HENNING MANKELL



LEITURAS

DEN OROLIGE MANNEN (Um Homem Inquieto) (2009)

De Henning Mankell (Estocolmo, 3-Fev-1948)

1-Uma pequena nota para os meus amigos facebookianos, nomeadamente para os que apreciam a chamada literatura policial, sobre a última obra publicada entre nós daquele escritor sueco, e que tem como protagonista principal o inspector Kurt Wallander. Será aliás a última em que ele surgirá, tomando em consideração o derradeiro parágrafo desta obra, por muito que isso custe aos seus leitores, embora haja um provável continuador na sua filha Linda Wallander.

2-Um aviso prévio de que se trata de uma obra para leitores adultos, no sentido mais lato do termo. 

Porque se é certo que a escrita de Mankell fascina, os escolhos de leitura são muitos e há até um momento em que apetece pôr a obra de lado. Não por ser literariamente inferior, bem pelo contário, mas porque parece reflectir os clichés, reaccionários e preconceituosos, massivamente propagandeados pelos órgãos do sistema capitalista, durante a Guerra Fria, ficando no leitor a dúvida se reflectirá o ponto de vista de Wallander, polícia competente e arguto na investigação, mas de uma ignorãncia política muito grande, ou às vezes do próprio escritor...

3-No entanto uma das mais belas passagens do livro é quando Wallander deixa o meio da alta burguesia e vai conversar  com uma trabalhadora (interrogar), empregada de restaurante já reformada, que travou conhecimento directo com os militares de alta patente que surgem na complexa intriga.

4-Kurt Wallander, oficial de polícia, de 60 anos, já com uma já longa carreira que os leitores foram acompanhando em obras anteriores, e que, de certo modo, ele revisita ao longo deste romance; a sua filha Linda, que segue as pisadas profissionais do pai; as mulheres da vida de Kurt, Mona e Baiba, com desenlaces trágicos; a neta Klara; o Pai, já falecido, a quem finalmente o filho parece entender, e que aliás mostrava uma perspicácia política muito superior à de Wallander; os colegas de profissão: eis o universo próximo de Wallander. 

O resto são os von Enke, uma família da alta burguesia, e os que os rodeiam, principalmente oficiais superiores das forças armadas suecas.

O relato que Mankell faz da sociedade sueca é muito pouco lisonjeiro, mostrando-nos como é pouco verdadeira a aura de serem progressistas as sociedades nórdicas, conforme à ideia propalada pela comunicação social de tendência social democrata. O romance fala nomeadamente do ódios dos conservadores, em especial nas forças armadas e da alta burguesia, a Olof Palme, o primeiro-ministro assassinado em circunstâncias ainda hoje não esclarecidas. Tal como refere o feroz anti-comunismo dos mesmos meios.

Não devendo ser aqui referida a intriga com mais pormenor, para evitar que o suspense se perca, recomendo a leitura aos que apreciam este género de literatura, a dita policial. 

Henning Mankell é sem dúvida um dos melhores autores contemporâneos do género, principalmente se estivermos atentos ao ambiente social e político em que se movem as suas personagens.


Nota à posteriori

A série televisiva adaptando os romances de Henning Mankell não chegou aos nossos pequenos ecrãs, julgo que fruto da lamentável subserviência dos programadores de TV portugueses ao  que entendem ser o "gosto do mercado"... O resultado é uma programação em geral medíocre, quando não ainda pior e a que normalmente se costuma designar por lixo, com uma predominância das séries norte-americanas de baixa qualidade  ou das telenovelas cujo único interesse são os desempenhos das estrelas, muitas vindas do teatro em crise e que recorrem à televisão para sobreviver. 
Quem me lê sabe que não sou um fã desta televisão que nos "dão", embora me interesse pela qualidade e não teria dificuldade em citar umas poucas dezenas de grandes obras para o pequeno ecrã, vistas ao longo do tempo, de vários proveniências, desde o Brasil, aos EUA/Canadá e Europa, incluindo Portugal, e que considero magníficas. Fica para outra oportunidade. Por agora, resta este lamento...

IR AO TEATRO - A NOITE, de José Saramago



Sobre “A NOITE”, de José Saramago

Foi em 1979 que José Saramago escreveu a sua primeira peça de teatro, justamente esta, aceitando o desafio da saudosa encenadora e autora, Luzia Maria Martins, a criadora com a actriz Helena Félix do Teatro Moderno de Lisboa, que durante inesquecíveis anos, para quem goste de teatro, esteve sediado no Teatro Vasco Santana, na Feira Popular de Lisboa (ao Campo Pequeno), “barracão” onde assistimos a grandes espectáculos.

A Revolução de Abril já havia sofrido sérios reveses (“já estragaram a tua festa, Pá”, Chico Buarque, na segunda versão de “Tanto Mar”, após o 25-Nov-1975) quando Saramago a escreveu.

A peça é uma homenagem a esse momento único que foi a madrugada de início de um dos mais belos acontecimentos (em minha opinião e espero que não só) da História do nosso país, que vivemos ou de que nos chegam os ecos, ao longo de mais de oito séculos de existência (já somos velhinhos...). 

Mas também é intemporal, porque retrata pessoas perante situações críticas, retrata comportamentos que têm a ver com a classe social e os interesses dos envolvidos. E a sensação que fica ao espectador comum é que conheceu gente como aquela (eu conheci...). Aí é a mestria de um grande escritor, capaz de nos transmitir, com inteligência e rara simplicidade, sentimentos e comportamentos profundos, que jogam com a natureza humana, mas que vêm ao de cima fruto do meio e da época em que surgem. Não admira portanto que a visão desta peça nos emocione, por vezes fortemente, relembrando a nossa própria vivência daquele momento histórico maior, mas também pela exaltação de valores que fazem com que continuemos a acreditar na Humanidade.

Em 1979 a peça subiria ao palco pela primeira vez, representada pelo Grupo de Teatro de Campolide, na sua versão integral, e encenada por um dos maiores nomes do Teatro em Portugal, Joaquim Benite, que nos deixou recentemente.

A versão actual resulta de uma adaptação de Paulo Sousa Costa e encenação de José Carlos Garcia. Embora eu tivesse preferido ouvir o texto original de José Saramago (porque julgo que o texto dos autores deve ser, sempre que possível, respeitado na íntegra), julgo que as modificações operadas, como a redução das personagens para cerca de metade, ou as falas de Faustino, ou o fortíssimo final do original, embora discutíveis, especialmente a última, não alteraram as intenções do autor. 

O sucesso de público, obviamente desconhecedor, na sua grande maioria, da peça na sua versão escrita, ou mesmo em relação a anteriores representações, mostra que esta encenação da obra de José Saramago atinge o objectivo de interessar e emocionar o público. Para isso muito contribui o brilhante desempenho dos actores e nestas coisas prefiro em geral não fazer saliências pessoais quando o conjunto é muito bom. Mas aqui também não seria justo deixar de referir o trabalho de grandes actores nos papéis principais, como João Lagarto, Vítor Norte, ou Paulo Pires.

Como a afluência de público obriga a prolongar a sua representação até meados de Janeiro, sugiro que quem possa não perca. É no Teatro da Trindade, em Lisboa. E já agora não deixem de ler também a peça. 

A propósito, embora já as tenha visto adaptadas à ópera (e gostei), gostaria muito de ver em palco outras duas peças de José Saramago, de que gosto muito: “In Nomine Dei” e “Dom Giovanni, O dissoluto absolvido”. Terei como espectador essa boa sorte?


domingo, 29 de dezembro de 2013

INSIDE LLEWYN DAVIS


INSIDE LLEWYN DAVIS (A Propósito de Llewyn Davis)

Já vi o último filme dos manos Coen (Ethan e Joel) e considero-o muito interessante, na linha das obras anteriores destes carismáticos realizadores norte-americanos. Com uma diferença: é mais triste e melancólico (pelo menos para mim).

Ambos nascidos em Minneapolis, Minnesota, nos EUA. Joel em 29-Set-1954, Ethan em 21-Set-1957. 

São dois aparentemente vulgaríssimos cidadãos. Casados: Joel com a actriz Frances McDormand, desde 1984, têm 1 filho; Ethan, com Tricia Cooke, desde 1990, com 2 filhos. No entanto constituem uma dupla de cineastas cujas obras não nos cansamos de admirar, pela maneira muito própria e original como observam as suas personagens, descrevem os ambientes em que vivem, narram as suas histórias. Por isso são, na minha opinião, verdadeiros autores e não meros técnicos, encarregados de filmar histórias para agradar às audiências.

“Barton Fink” (1991), “Fargo” (1996), “Este País não é para Velhos” (No Country for Old Men) (2007), “Destruir Depois de Ler” (Burn After Reading) (2008), “Um Homem Sério” (A Serious Man) (2009), “Indomável” (True Grid) (2010), estão entre os meus filmes preferidos, no conjunto da sua obra.

Agora, basearam-se na vida de um cantor folk dos anos 60, pouco conhecido, Dave Von Ronk, contada nas suas memórias. O resultado é um mergulho com muito fascínio nos bares de Greenwich Village, o famoso bairro de Manhattan, a fazer lembrar um bairro duma cidade europeia, onde alguns jovens queriam, nessa época, fazer da actividade musical a razão principal da sua vida, sem grande ou nenhum sucesso a maior parte das vezes, como o seu mal amado, azarado e desastrado herói, Llewyn Davis, magnificamente interpretado por Oscar Isaac, que também canta e muito bem. 

Não vou referir os vários incidentes que tornam complicada a vida de Llewyn, apenas dizer que além das amantes, a quem acaba por pagar abortos (obviamente clandestinos), também aparece um gato, Ulisses, que vive em casa do casal Golfein, amigos fieis que quase perde por cauda dele ou a fantástica cena protagonizada por John Goodman, grande actor, preferido dos Coen, na alucinante viagem de automóvel entre Nova Iorque e Chicago, onde o estilo dos Coen, e nesse e noutros episódios (o atropelamento de um animal. Qual? Não sabemos. Chegámos a julgar que fosse o Ulisses perdido... Posso rir?) com toda a mestria e originalidade destes dois grandes criadores (realizadores e argumentistas) surge.

Uma palavra para a fotografia, de Bruno Delbonnel e um profundo lamento para a falta de tradução das letras das canções. 

A quem puder recomendo a leitura da entrevista dada pelos Coen à revista Positif (Nov-2013).