Cultura!

Cultura!

OBJECTIVOS

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... Nos últimos tempos são maioritariamente meros comentários que fiz, publicados principalmente no facebook ou no correio electrónico, sempre a pensar em primeiro lugar nos amigos que eventualmente os leiam.
Gostaria muito de re-escrever os textos, aprofundando as opiniões, mas o tempo vai-me faltando...
As minhas estrelas (de 1 a 5), quando as houver, apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente. Gostaria de ver tudo o que vale a pena, mas também não tenho tempo...

sábado, 1 de novembro de 2014

MITT ANDRA LAND (O MEU OUTRO PAÍS), de Solveig Nordlund

NOTAS CINÉFILAS (só sobre o que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem um referência)

MITT ANDRA LAND (O Meu Outro País)

A última obra de SOLVEIG NORDLUND (Estocolmo, 9-Jun-1943), realizadora e encenadora, com vários trabalhos, no cinema e no teatro, de que gostamos muito. 



Vimos este filme no Doclisboa que está ainda a decorrer, numa montagem de obras suas e de outros cineastas seus contemporâneos, nomeadamente Alberto Seixas Santos, Robert Kramer, bem como de documentários sobre os anos da Revolução de Abril, principalmente os do Grupo Zero, entre outros. Solveig chegou a Portugal nos anos 60 e depois fez quase toda a sua obra aqui. 

Ela fala sobre o que mais impressionou na sua vida em Portugal e da Revolução a que assistiu e que diz não esquecer mais, tal como nós, para quem esses foram os tempos mais felizes da nossa vida. 

Este filme tem momentos emocionantes, principalmente da mais bela das conquistas da Revolução, a Reforma Agrária, iniciada em 9 de Fevereiro de 1975. Fantástica a longa sequência da manifestação em apoio à Reforma Agrária, com o desfile dos representantes das UCPs, retirado de um dos documentários de época que a Solveig escolheu. 




Por tudo isto sugerimos aos(às) Amig@s que não percam esta obra quando voltar a ser exibida. 

No final da sessão realizou-se um debate entre os presentes sendo de salientar, naquele a que assisti, um belíssimo testemunho de uma espectadora, que falou principalmente da Reforma Agrária, aliás aplaudido por grande parte dos presentes,

NOTA. fui ao sítio da imdb.com, conhecida base de dados sobre cinema, procurar informações sobre a ficha técnica de Mitt Andra Land e verifiquei, um pouco surpreendido (pouco porque já não é a primeira vez e sempre em casos de obras notáveis, mas que fogem do campo do essencialmente comercial) que não havia sequer registo... 

NÃO PERCAM! 

(nota que publiquei no facebook)

CHARULATA, de Satyajit Ray

NOTAS CINÉFILAS (só sobre o que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem uma referência...)

CHARULATA (1964), de Satyajit Ray, visto no mini-ciclo sobre este autor, actualmente no Cinema Nimas, em Lisboa. Depois seguirá para o Carlos Alberto, no Porto (amig@s portuenses, se tiverem disponibilidade por favor não ignorem este acontecimento)

Esta é uma das obras-primas absolutas deste grande realizador indiano (Cálcuta, Bengala, 2-Mai-1921 - 23-abr-1992), "um dos maiores realizadores da história do cinema, tanto indiano como mundial", conforme escrito no magnífico catálogo da Cinemateca Portuguesa, "Cinemas da Índia", aliás um dos melhores, em minha opinião, publicados pela instituição. 

Coordenado por José Manuel Costa e editado em 1998 com apoio do MC (Ministério da Cultura), MC que o (des)governo actual, de cavaco, passos e portas, num miserável acto anti-cultura, eliminou. 

Charulata, é uma adaptação de um romance do prémio Nobel, Rabindranah Tagore (Calcutá, 7-Mai-1861 - 7-Ago-1941), belíssimo retrato de mulher, onde a muito bela Madhabi Mukherjee (Calcutá, 10-Fev-1942), grande actriz já nossa conhecida de "A Grande Cidade" (1963), tem outro desempenho inesquecível.



O romance passa-se no início do século XIX, em meios progressistas indianos, que acompanhavam com interesse e emoção o que se passava na potência colonizadora, a Grã-Bretanha, com a realização das eleições em que o conservador Disraeli, um dos expoentes políticos do imperialismo britânico, seria derrotado pelo político liberal Gladstone, o que os progressistas indianos comemoraram, pensando que isso corresponderia a um abrandamento da exploração e repressão colonial (diálogos da obra).

Há também uma referência a um político progressista indiano, Roy, cujo túmulo se encontra em Bristol e mais de um século antes da independência da Índia (1947) os mais esclarecidos verberam esse facto: "se quizermos homenagear Roy teremos que ir a Inglaterra!"

Gostaria de pedir aos amig@s que não percam esta obra-prima admirável, que se vê também com muita emoção. 

O cinema tem uma característica que ninguém desconhece: o que se passa no ecrã, sabemos que é ficção, mas faz-nos pensar na vida real, nos amigos e nos que nos rodeiam e é possível que algumas lágrimas teimosas se soltem dos olhos mais sensíveis.

A 33ª SEMANA CULTURAL no 45º aniversário do INTERVALO GRUPO DE TEATRO

NA SEMANA CULTURAL DO INTERVALO GRUPO DE TEATRO

O Intervalo foi fundado em 1969, em Algés, portanto há 45 anos, em pleno fascismo e apesar da censura, das perseguições, de algumas prisões, resistiu até ao 25 de Abril e continua vivo e recomenda-se. 

Armando Caldas fazendo a apresentação da sessão

(I) 1º e 2º Dias

Este ano já lá estiveram os actores Carlos Santos e Virgílio Castelo, o director da CTA e do Festival de Teatro de Almada, Rodrigo Francisco, a professora universitária e teatróloga, Maria Helena Serôdio (que escreveu em minha opinião o mais belo texto que li sobre o Festival de Teatro de Almada), os cantores Carlos Mendes, Jorge e Vicente Palma. 
Sessões a que assistimos com grande prazer, com destaque para a excepcional actuação de Jorge Palma, mesmo com a voz em extrema dificuldade, mas não querendo deixar de estar presente e acabando por protagonizar um daqueles momentos inesquecíveis de que o Armando Caldas nos fala. 

Ainda vão ser homenageados este ano Samuel, Janita Salomé, Eduardo Gageiro e Mário de Carvalho, cantores, fotógrafo e escritor, todos acompanhados de vários artistas e personalidades.

A semana finalizará no domingo, às 16.00, com a representação da peça em cena há cinco meses no Intervalo Grupo de Teatro, "Eu é que sou o primeiro", do dramaturgo norte-americano, Israel Horowitz. Peça de grande sucesso, com duas e três décadas de representações em Londres, Paris e Nova-Iorque. Com a curiosidade, principalmente para os desportistas, de Israel ser um maratonista de pelotão e ser casado com uma antiga campeã da maratona. Mais uma razão para não faltarem portanto. Talvez tenha acontecido (não em admirava nada, embora o ambiente no pelotão seja o oposto do da peça) que o argumento da peça lhe tenha surgido e sido desenvolvido no decorrer dos treinos para as maratonas ou até no decorrer de uns 42,195 km... Dela já falámos anteriormente.

II) 3º e 4º Dias

Ante-ontem foi o Samuel, com o Manuel Freire. E foi muito bom, segundo nos disseram porque não pudemos estar presentes por termos ido para outra homenagem, o prémio de carreira dado pela APC (Academia Portuguesa de Cinema) ao nosso querido Amigo Henrique Espírito Santo. 

Ontem regressámos para assistir a mais uma pequena maravilha que foi o concerto dos manos Salomé (Janita e Vitorino) e seus acompanhantes, que terminou com uma GRÂNDOLA com o coro do público, vibrante e emocionante. 

Do que foi cantado muito haveria a dizer, pela sua enorme qualidade e beleza, com a novidade (para nós) das belíssimas canções sefarditas que como o Janita muito bem disse nada têm a ver com o sionismo, nem com a sua política criminosa.
Janita contou com a presença de um grande jornalista da rádio, António Macedo, da RDP - Antena Um, uma magnífica presença quotidiana durante a semana no programa da manhã. 
António Macedo falou de Janita e foi pretexto também para falar da Rádio, no que foi aliás acompanhado pelo Armando Caldas e esse foi outro grande momento da noite, especialmente para todos nós para quem a Rádio continua a ser um dos meios de comunicação preferidos, em especial a Antena Um, que permanece, apesar de tudo, relativamente imune à mediocridade vigente que tudo invade em especial a televisão (porque dá mais dinheiro, claro). 
Mais uma inesquecível sessão de Cultura do Intervalo dirigido por Armando Caldas. Bem hajam!

5º Dia

Foi mais uma noite magnifica de Cultura (e de afectos e emoções) a que se viveu ontem na 33ª Semana Cultural do Intervalo Grupo de Teatro.
A homenagem foi ao maior (na minha opinião e não só) dos nossos Fotógrafos, cuja dimensão é aliás universal, ao lado daqueles de que mais gosto - Doisneau, Ronis, Rodchenko, Cartier-Bresson, Salgado, Brandt, entre outros.
As intervenções sobre a vida e obra do homenageado estiveram a cargo do jornalista Fernando Dacosta e do também jornalista e escritor, Baptista-Bastos, referência maior das nossas letras e cidadania, e última vítima conhecida, há poucos dias, de uma censura que cresce assustadoramente, com pezinhos de veludo, nos jornais dominantes (despedimento do DN) e na sociedade em que vivemos. 
Dele reafirmou Correia da Fonseca, o jornalista co-fundador do Intervalo Grupo de Teatro há 45 anos e que então se chamava 1ºActo, que BB é o maior cronista português vivo. Concordo!
Ele e Gageiro são dois Homens que muito admiro, desde que conheci as respectivas obras, há muitos anos, ainda nos tempos de um passado, medíocre e tenebroso, contra o qual foram Resistentes.
Haveria muito a dizer sobre eles, o que obviamente não é compatível com o pequeno espaço de uma nota facebookiana.
Sobre o homenageado principal, Eduardo Gageiro, Fotógrafo de Abril, que na madrugada início da libertação, avançou sem medo para as ruas, fotografando os alvores da Revolução que haveria de vir com o apoio popular. Depois foram as fotografias que mais ou menos todos conhecemos, entre as quais obras-primas que não nos cansamos de olhar.
A obra de Gageiro é um admirável retrato das gentes do seu país, por vezes as mais anónimas e sofredoras, mas nesse olhar há acima de tudo um universalismo admirável que o tornam tão grande. Impossível desfolhar os seus álbuns sem uma profunda emoção.
A terminar seria imperdoável não referir a parte musical da noite, em que participaram dois grandes nomes da Música Portuguesa da actualidade: um mestre da guitarra, Pedro Jóia e uma impressionante voz do fado, Ricardo Ribeiro. Foi magnífico!

6º e 7º Dias

A 33ª Semana Cultural do 45º aniversário do Intervalo Grupo de Teatro aproxima-se do fim. 

Esta tarde será o dia do teatro, com o último trabalho da companhia,a peça "Eu é que sou o primeiro" (LINE), de Israel Horowitz, que aliás já víramos no início deste ano mas que vamos voltar a ver com muito agrado.



Ontem foi dia da homenagem a um dos grandes escritores portugueses vivos, Mário de Carvalho, que tanto apreciamos, o autor, entre outras obras, das obras-primas da Literatura Portuguesa, "Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde" e "A Sala Magenta", a que queremos voltar. 


A sua obra foi analisada por outro excelente escritor e poeta, Domingos Lobo, cuja produção literária conhecemos e apreciamos, incluindo a sua vertente dramatúrgica, tal como os seus ensaios de crítica literária, que nunca deixamos de ler, publicados no Avante!
Mas desta vez Domingos Lobo ofereceu-nos uma lição de sapiência sobre a obra de Mário de Carvalho, o que pessoalmente achei magnífico, mesmo sabendo que ajuda para a sua compreensão integral o conhecimento da obra do homenageado. Foi um momento de cultura magnífico.

Na participação musical da noite, desta vez dedicada à música erudita, estiveram outros dois "velhos amigos" (ainda que nunca tivéssemos falado com eles). É que a vida tem destas coisas: os amigos para nós podem também ser os que nos vão dando momentos magníficos através do seu trabalho, artístico neste caso. E o que lhes podemos dar em troca é o nosso grande aplauso e admiração: o maestro e pianista João Paulo Santos e o tenor Carlos Guilherme.

E quanto a amigos, nunca estivemos sós durante esta semana porque sempre grandes amigos nos acompanharam nas deslocações ao auditório e isso é muito bom!

O HERÓI (NAYAK), de Satyajit Ray

NOTAS CINÉFILAS (só sobre o que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem uma referência...)


NAYAK (O HERÓI) (1966), de Satyajit Ray, visto no mini-ciclo sobre este autor, actualmente no Cinema Nimas, em Lisboa. Depois seguirá para o Carlos Alberto, no Porto.

Admirável obra deste grande realizador indiano (Cálcuta, Bengala, 2-Mai-1921 - 23-abr-1992). 

A propósito valer a pena ler o belo ensaio escrito sobre ele no magnífico catálogo da Cinemateca Portuguesa, "Cinemas da Índia", aliás um dos melhores, em minha opinião, publicados pela instituição. Coordenado por José Manuel Costa e editado em 1998 com apoio do MC (Ministério da Cultura). 

(MC? O que é isso? perguntarão aqueles que só agora, por uma questão de idade chegaram a estes domínios da Cultura. É que o Ministério da Cultura foi destruído assim que os actuais governantes, fascizantes e incultos, chegaram ao poder. Aliás um grande receio desse tipo de gente é a de que o povo se torne mais culto... basta ouvi-os e ve-los na comunicação social, arrogantes e convencidos, do alto da sua mediocridade)

Nessa obra da Cinemateca lê-se: "... (Satyajit Ray) um dos maiores realizadores da história do cinema, tanto indiano como mundial".

"O Herói" tem como protagonista principal um actor de cinema de grande sucesso popular. Através da sua história, em que os problemas da desumanização e do desenraizamento causados pela fama, efémera como sempre acontece nestes casos, o afastam dos outros e de si proprio, Ray fala-nos das preocupações que então sentíamos, e que infelizmente meio século depois permanecem, apesar de tudo o que se passou, desde os grandes avanços sociais do século XX até ao retrocesso e declínio da sociedade actual, coincidente com o início do século XXI. 

Retrocesso e declínio em termos humanos e dos valores que para muitos de nós pareciam então ter sido definitivamente adquiridos pela sociedade e de que nada os poderia destruir. Mas felizmente a cada retrocesso um novo avanço se seguirá e é essa certeza que nos faz acreditar no futuro, porque nada poderá deter a roda da história...

O humanismo deste grande artista, autor do argumento, da música e da realização, com uma admirável direcção de actores, surge em toda a sua plenitude nesta obra, mas Ray reflecte também sobre o Actor e do seu papel no cinema e sobre o próprio Cinema

Gostaria ainda de pedir aos amig@s que não percam esta obra, admirável, repito, e que reparem com atenção na famosa cena do sonho de Arindam, o Actor, afogado num "mar" de notas de 1000 rupias. Em 1966 ou em 2014, sejam grandes artistas ou simples desportistas (que também têm a sua arte).



PRÉMIOS DE CINEMA EM PORTUGAL


PRÉMIOS PARA AS OBRAS DE CINEMA PRODUZIDAS EM PORTUGAL


Joaquim Leitão recebeu o prémio da MELHOR REALIZAÇÃO, com ATÉ AMANHÃ, CAMARADAS. Adaptação à televisão e, no ano passado, ao cinema da obra de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal), uma das melhores e mais importantes obras de ficção escritas em português, e não só, no século XX.


O cineasta afirmou, ao receber o prémio, para o qual foi escolhido por votação entre os membros da ACADEMIA PORTUGUESA DE CINEMA, que o período em que trabalhou nesta obra foi dos mais felizes da sua vida.

Foram também entregues prémios de carreira a três grandes nomes do Cinema Português: 

um mestre da fotografia, EDUARDO SERRA, 
um dos realizadores que mais aprecio, JOSÉ FONSECA E COSTA 
e um grande produtor, que fica ligado a algumas das mais célebres obras e nomes do nosso cinema, HENRIQUE ESPÍRITO SANTO. 





Foi bonita a homenagem, vibrantemente compartilhada por um público que enchia o grande auditório, maioritariamente jovem, aplaudindo de pé estas referências maiores da sua actividade e da arte em geral.

Houve ainda prémios para todas as categorias principais ligadas à produção cinematográfica, a nomes e obras, alguns e algumas de que muito gostamos, com alguns momentos que ficam na nossa memória e que oportunamente referiremos.

Além obviamente das excelentes e carismáticas intervenções musicais ao longo da noite, que pontuaram a cerimónia.

Parabéns à APC!

Mas lamenta-se a atitude da direcção da RTP, recusando-se a transmitir o evento, concluindo-se portanto que prefere as mediocridades que abundam na sua programação actual... Consequência óbvia das orientações a que está sujeita na actualidade a nossa Televisão Pública...




Prémio de Melhor Filme da Academia Portuguesa de Cinema foi para A última vez que vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata.

PUBLICO.PT


AIMER, BOIRE; CHANTER, de Alain Resnais

NOTAS CINÉFILAS (só sobre o que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem uma referência...)


AIMER, BOIRE, CHANTER (Amar, Beber, Cantar), derradeiro filme de ALAIN RESNAIS (Vannes, 3-Jun-1922 - Paris, 1-Mar-2014), um dos mestres do cinema contemporâneo e um dos realizadores cuja obra mais apreciamos. Neste último filme que nos ofereceu adapta mais uma vez o dramaturgo inglês, ALAIN AYCKBOURN (Londres, 12-Abr-1939), depois de FUMAR / NÃO FUMAR e CORAÇÕES, aliás duas obras-primas do Cinema.
É uma obra sofisticada, que quase podia parecer teatro filmado não fora a genialidade do cineasta. 

Não vou contar o argumento apenas dizer que se trata de uma comédia sobre as relações humanas, em todas as suas facetas, de meia dúzia de personagens, três casais, de quem um grande amigo fica inesperadamente com a morte a prazo, devido a cancro. O que poderia parecer um drama transforma-se numa comédia, onde tudo, ou quase, vem à luz do dia, ou da noite, incluindo as paixões e as aventuras sexuais, que se vê quase sempre com um sorriso que por vezes se transforma numa gargalhada contida. 

Resnais utiliza magnificamente os cenários de um famoso desenhador francês, de BD, e também actor (ver La Chambre Bleue, de Mathieu Amalric),  BLUTCH (Christian Hinkler) (Estrasburgo, 27-Dez-1967), misturando-os com as imagens reais das estradas e caminhos, em paisagens belas e fascinantes, do Yorkshire. 
Quantos às interpretações, de actores habituados a trabalhar com Resnais, são brilhantes.

O único comentário que posso acrescentar a esta brevíssima nota facebookiana é que constitui um grande prazer a visão desta pequena e maravilhosa obra de despedida do grande realizador.



Nota, à margem, sobre o que está em exibição: obviamente não perder a pequena série de filmes de SATYAJIT RAY, no NIMAS. Quanto ao Doclisboa, embora sem o carisma de outras edições, ainda tem algumas coisas a não perder, lá pelo meio... Depois digo.

Numa noite da SEMANA CULTURAL do Intervalo Grupo de Teatro

Foi mais uma noite magnifica de Cultura (e de afectos e emoções) a que se viveu ontem na 33ª Semana Cultural do Intervalo Grupo de Teatro.

A homenagem foi ao maior (na minha opinião e não só) dos nossos Fotógrafos, cuja dimensão é aliás universal, ao lado daqueles de que mais gosto - Doisneau, Ronis, Rodchenko, Cartier-Bresson, Salgado, Brandt, entre outros.

As intervenções sobre a vida e obra do homenageado estiveram a cargo do jornalista Fernando Dacosta e do também jornalista e escritor, Baptista-Bastos, referência maior das nossas letras e cidadania, e última vítima conhecida, há poucos dias, de uma censura que cresce assustadoramente, com pezinhos de veludo, nos jornais dominantes (despedimento do DN) e na sociedade em que vivemos.




Dele reafirmou Correia da Fonseca, o jornalista co-fundador do Intervalo Grupo de Teatro há 45 anos e que então se chamava 1º Acto, que Baptista-Bastos é o maior cronista português vivo. Concordo!

Ele e Gageiro são dois Homens que muito admiro, desde que conheci as respectivas obras, há muitos anos, ainda nos tempos de um passado, medíocre e tenebroso, contra o qual foram Resistentes.
Haveria muito a dizer sobre eles, o que obviamente não é compatível com o pequeno espaço de uma nota facebookiana. 
Sobre o homenageado principal, Eduardo Gageiro, Fotógrafo de Abril, que na madrugada início da libertação, avançou sem medo para as ruas, fotografando os alvores da Revolução que haveria de vir com o apoio popular. Depois foram as fotografias que mais ou menos todos conhecemos, entre as quais obras-primas que não nos cansamos de olhar.

A obra de Gageiro é um admirável retrato das gentes do seu país, por vezes as mais anónimas e sofredoras, mas nesse olhar há acima de tudo um universalismo admirável que o tornam tão grande. Impossível desfolhar os seus álbuns sem uma profunda emoção.

A terminar seria imperdoável não referir a parte musical da noite, em que participaram dois grandes nomes da Música Portuguesa da actualidade: um mestre da guitarra, Pedro Jóia e uma impressionante voz do fado, Ricardo Ribeiro. Foi magnífico!