Cultura!

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OBJECTIVOS

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... Nos últimos tempos são maioritariamente meros comentários que fiz, publicados principalmente no facebook ou no correio electrónico, sempre a pensar em primeiro lugar nos amigos que eventualmente os leiam.
Gostaria muito de re-escrever os textos, aprofundando as opiniões, mas o tempo vai-me faltando...
As minhas estrelas (de 1 a 5), quando as houver, apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente. Gostaria de ver tudo o que vale a pena, mas também não tenho tempo...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CLÁSSICOS DE QUE GOSTO MUITO

1928 The Circus
(O Circo)
CHARLES CHAPLIN
1938 Alekxander Nevski
(Alexandre Nevki)
SERGUEI EISENSTEIN
1941 The Lady from Shangai
(A Dama de Xangai)
ORSON WELLES
1951 The River
 (O Rio Sagrado)
JEAN RENOIR
1954 Shichinin no Samurai
(Os Sete Samurais)
AKIRA KUROSAWA
1956 Det Sjunde Inseglet  
(O Sétimo Selo)
INGMAR BERGMAN
1956 Otto i Mezzo
 (Oito e Meio)
FEDERICO FELLINI
1960 Rocco i Suoi Fratelli
(Rocco e Seus Irmãos)
LUCHINO VISCONTI
1964 Charulata

SATYAJIT RAY
1999 Eyes Wide Shut
De Olhos Bem Fechados
STANLEY KUBRICK


terça-feira, 4 de novembro de 2014

OS DEZ MESTRES DA SÉTIMA ARTE MEUS PREFERIDOS

CHARLES CHAPLIN
Walworth, GBR, 16-Abr-1889
 25-Dez-1977
Modern Times
(Tempos Modernos) (1936)
FEDERICO FELLINI
Rimini, Roma, 20-Jan-1920
 31-Out-1993
La Dolce Vita
 (A Doce Vida) (1960)
INGMAR BERGMAN
Uppsala, Suécia, 14-Jul-1918
Farö, Suécia, 30-Jul-2007
Fanny och Alexander
(Fanny e Alexandre) (1982)
JEAN RENOIR
Montmartre, Paris,  15-Set-1894
 12-Fev-1979
La Règle du Jeu
 (A Regra do Jogo)(1939)
KENJI MIZOGUCHI
Hongõ, Tóquio, 16-Mai-1898
 24-Ago-1956
Ugetsu Monogatari
(Os Contos da Lua Vaga) (1953)
LUCHINO VISCONTI
Milão, 2-Nov-1906
 17-Mar-1976
Il Gattopardo
(O Leopardo) (1963)
ORSON WELLES
Kenosha, Wiscosin, 16-Mai-1915
 10-Out-1985
Citizen Kane
(O Mundo a seus Pés) (1941)
SATYAJIT RAY
Calcutá, 2-Mai-1921
 23-Abr-1992
Trilogia Apu (1955-1959)
SERGUEI EISENSTEIN
Riga, Letónia, 22-Jan-1898
Moscovo, 11-Fev-1948
Bronenosets Potiomkin
(O Couraçado Potemkine) (1925)
STANLEY KUBRICK
Manhattan, NYC, 26-Jul-1928
 St.Albans, GBR, 7-Mar-1995
2001, A Space Odyssey
 (2001- Odisseia no Espaço)(1968)



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PEQUENAS MEMÓRIAS CINÉFILAS

As salas de cinema que marcaram a minha infância, adolescência e juventude, cinéfilas, estão muito ligadas às obras que nelas vi e que decerto modo também contribuíram (julgo que bastante) para a formação do ser humano que sou.

Sem consultar os meus arquivos, que são reduzidos com excepção de os da minha paixão cineclubista, poderia recordar de memória o Stadium (do SAD), o Restelo, o Promotora, o Paris, o Europa, o Jardim-Cinema e os cinemas do centro da cidade de Lisboa, e quase todos os que mais frequentei já estão há muito desaparecidos - o Estúdio do Império, o 444, o Apolo 70, o Londres, o Roma (agora auditório), o Tivoli (agora teatro), o São Luís (agora teatro), o Éden, o Condes, o Império, Monumental e S.Jorge, mais tarde o Alvalade, ao cimo da Avenida de Roma (hoje é o City-Cine), o Universal (na Rua da Beneficência), o Lys, etc, etc (deve faltar muita coisa).

E o Imperial, de que junto imagem actual do que resta do edifício onde funcionou, tirada outro dia, quando numa das minhas deambulações citadinas lá passei.



No Imperial decorreram durante alguns anos (anos 60 e talvez 70) as sessões semanais do CCUL (Cine Clube Universitário), um dos vários cineclubes então existentes em Lisboa. 
Os mais importantes eram o Imagem, o ABC, o CCUL, o Católico (e aqui julgo que chegou a haver dois - o dos católicos progressistas e o dos católicos fascistas. Nunca fui nem a um nem a outro...). 

E no CCUL (mas também no ABC e IMAGEM), e no cinema IMPERIAL, vi algumas das obras mais importantes da 7ª Arte.

Só relembrando algumas: o cinema inglês, de Losey aos Angry Men; o neo-realismo italiano; alguns clássicos do cinema soviético    (que conseguiam escapar à censura, embora retalhados); a nouvelle-vague francesa e alguns grandes clássicos, como Renoir; o cinema de esquerda feito nos EUA (Richard Brooks e outros); o cinema espanhol anti-fascista que ultrapassava a censura, o cinema novo português e os seus antecessores (Manuel Guimarães, Artur Ramos); o cinema europeu dos países socialistas (principalmente checo, húngaro, polaco).

Inesquecíveis, a exibição com grande sucesso de uma obra-prima "O Faraó", de Kawalerowicz e também o impacto na jovem assistência que enchia por completo, como quase sempre, a grande sala do Imperial, do longo travelling final de Os Quatrocentos Golpes, de François Truffaut. 

Eram frequentes os aplausos no final da sessão da maioria dos jovens presentes. Julgo que seriam 3 ou 4 centenas.



  

domingo, 2 de novembro de 2014

ALENTEJO, ALENTEJO, de Sérgio Tréfaut

NOTAS CINÉFILAS (só do que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem uma referência...)

ALENTEJO, ALENTEJO, de Sérgio Tréfaut

Amig@s, já viram este belíssimo documento sobre o Alentejo, os alentejanos e o seu cante? Por favor não percam.

Só vos digo que começa brilhantemente e tem ao longo do filme cenas que nos comovem mas não só pela sua beleza.
Tréfaut realizou um dos mais belos documentários que vimos ultimamente. 

É que ao mostrar o Cante, esse cantar alentejano por excelência que, pela sua originalidade e beleza, merece indiscutivelmente estar na lista daquilo que deve ser considerado como pertencente ao património cultural e inalienável da Humanidade, mostrou a cima de tudo o Povo que o canta, dos mais jovens aos mais velhos, do Alentejo à Diáspora. 



Julgo ser impossível, quando há sensibilidade e inteligência suficiente, ficar indiferente a isto.

No entanto, ao pé de tanta inutilidade que enche a maioria dos ecrãs da nossa cidade (claro que não falo de Satyajit Ray, Alain Resnais, Woody Allen, João Botelho, Joaquim Pinto e alguns mais), a obra de Tréfaut mereceria outra audiência e não só aquelas dezenas de espectadores, por muito bons que alguns sejam, presentes na sessão a que assisti, naquele enorme cine-multiplex cheio das tais inutilidades... Quanto à crítica dominante, bom, esqueçam: tem o cinema que merece...




sábado, 1 de novembro de 2014

LA CHAMBRE BLEUE (O Quarto Azul), de Mathieu Amalric


NOTAS CINÉFILAS (só sobre o que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem uma referência...)


O QUARTO AZUL (La Chambre Bleue), de Mathieu Amalric

Adaptação do romance homónimo (publicado inicialmente sob o título "Les Amants Frénétiques") de Georges Simenon (Liège, 13-Fev-1903 - Lausanne, 4-Set-1989). 

Gosto muito do escritor e não sou o único, felizmente: « (...) Simenon é uma espécie de Balzac (menor, se insistirem nisso, embora me pareça que em matéria de méritos artísticos e literários é difícil ir a meças), mas um Balzac da pequena e média burguesia da primeira metade do século (XX) » (Correia da Fonseca, À Espera de Simenon, em O Diário, de 9-Jul-1988)

Julgo que Mathieu Amalric, o magnífico actor e também realizador, e que nesta obra surge nas duas funções, traduziu o essencial da trama desta estória de paixão e destino trágico, a que os dois amantes não conseguem escapar. 

Mas, ao contrário das histórias policiais de Simenon, em que a principal figura é o Comissário Maigret, nesta a verdadeira solução do crime não será conhecida do espectador (ou leitor). 

Culpados os dois, ou só um, ou alguém mais, ou outra pessoa? A dúvida permanecerá. Mas as grandes paixões, a contra-corrente, obsessivas, ilógicas (?), tendem quase sempre para a tragédia. E os amantes, perante as provas circunstanciais que a sociedade ajuíza em geral tendenciosamente, acabarão condenados.

Concordo com uma crítica que li que referia a influência de Chabrol nesta obra de Mathieu Amalric, na sua descrição de um meio burguês de província. O que é um elogio, em minha opinião.

De início o espectador poderia pensar que se tratava de uma obra em que o sexo estaria sempre em grande plano, e afinal não é assim, embora seja o cerne da obra e haja meia dúzia de cenas eróticas que ficam na memória, emblemáticas, como a da abelha. 



Os actores principais, duas mulheres e um homem, que constituem o núcleo dos pares à volta dos quais decorre o drama são excelentes, Mathieu Amalric (Julien Gahyde), Léa Drucker (Délphine Gahyde), Stéphanie Cléau (Esther Despierre), e mais alguns secundários magníficos. Stéphanie colaborou com Mathieu na escrita do argumento, adaptação do romance. 

A propósito, confesso que também aprecio muito a longa série de pequenos romances centrados na figura de Maigret. Para além da quase bonomia com que trata os, quase sempre pequenos, criminosos que com ele se cruzam, na tentativa de lhes compreender as razões e motivações, reveladoras das misérias e infelicidades que afligem o ser humano, outra característica maior do romancista é, em minha opinião, a sua magnífica e principalmente fascinante descrição de ambientes. 

Quer de uma Paris que o autor e respectivas personagens conhecem bem, quer das suas incursões pela província, em especial das que se passam na sua Bélgica e Flandres natal, quase sempre com um rio de águas invariavelmente lodosas e escuras, que atravessa as cidades, e por onde sobem ou descem barcaças.

Nota pessoal:

Quando relembro os romances com Maigret e os seus ajudantes, e a Madame Maigret, quando penso no Quai des Orfévres, recordo uma deambulação por esses lados, provavelmente a tentar sentir também na pele as descrições de Simenon e lembro o susto de uma idosa transeunte quando lhe perguntámos se sabia onde era. Temendo ser assaltada naquela zona de grandes edifícios, quase deserta? Foi o que me pareceu. 

Estávamos em meados dos anos 70, quando já grande parte dos emigrantes portugueses havia regressado à pátria, cheios de novos sonhos, afastados dos bidonvilles, esses enormes bairros de barracas e lama, que as autoridades francesas haviam desmantelado à pressa, tentando apagar os vestígios da emigração a que o fascismo português obrigou o nosso povo.

Agora, passados 40 anos, uma nova geração de portugueses é obrigada a emigrar por políticas semelhantes às de então. Na história da Luta de Classes, trata-se de um enorme retrocesso, mas todos sabemos que mais tarde ou mais cedo a roda da História voltará a mover-se no sentido do progresso social, da liberdade e da igualdade, e isso será obviamente consequência da Luta dos Povos.




MAIDAN, de Sergei Loznitsa

Pela sua importância recomenda-se vivamente a leitura do artigo "A Verdade e a Mentira no Cinema", de Manuel Augusto Araújo

"(...) Todo o filme é construído para nos transmitir as emoções daqueles meses, manipulando o enorme poder das imagens. Quase se acredita que Sergei Loznitsa quis reflectir sobre «a insurreição popular, enquanto fenómeno social, cultural e filosófico». Utiliza esse caldo de cultura para fazer um filme de propaganda de um suposto levantamento popular espontâneo. A UE, os EUA, os seus títeres ucranianos encontraram a sua Leni Riefensthal doblez, com muito menos talento, mas bastante saber cinematográfico."

Manuel Augusto Araújo, no Avante! nr.2135

http://www.avante.pt/pt/2135/argumentos/132687/


O DEUS ELEFANTE (JOI BABA FELUNATH), de Satyajit Ray

NOTAS CINÉFILAS (só sobre o que me interessa e gosto muito e que não posso deixar passar sem uma referência...)

O DEUS ELEFANTE (Joi Baba Felunath) (1979), de Satyajit Ray, visto no mini-ciclo sobre este autor, actualmente no Cinema Nimas, em Lisboa. Depois seguirá para o Carlos Alberto, no Porto (amig@s portuenses, se tiverem disponibilidade por favor não ignorem este acontecimento)

Eram 6 os filmes restaurados deste grande mestre e consegui (!!!) ver todos. Ele não tem filmes fracos (que eu conheça) e este é mais uma daquelas jóias que nos dá muito prazer ver. Argumento mais ou menos policial de quem cultivou, na escrita, também essa faceta (que não conheço, até porque, segundo li no DN, não está traduzido em português). 
A estória do filme gira à volta do roubo de uma pequena imagem em ouro, muito valiosa, do Ganesha, o Deus Elefante. Roubo que vai ser investigado pelo detective criado por Satyajit Ray, Feluda, magnificamente interpretado pelo nosso já conhecido de outros filmes de Ray, Soumitra Chatterjee.

Não percam.


E já agora, para quem o puder fazer, ainda há possibilidade de ver todo o ciclo: sexta - A Grande Cidade, sábado - O Cobarde, domingo - O Santo, segunda - O Herói, terça - O Deus Elefante e quarta - Charulata. 
Os mais importantes e obras-primas são A Grande Cidade, Charulata e O Herói, mas, se pudesse, reveria sem hesitações todos eles.